Aquele que compõe um poema, o faz para acalmar os tumultos do coração, e aquele que o descobre, lê ou escuta, reflete a imagem de um outro que existe em si mesmo, embora o desconheça.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
E saudades antecipadas pelo instante seguinte
de cada despedida
é tão forte o que eu sinto
que parece que o ultimo beijo
será pra sempre o ultimo
fico lembrando aquele meio-beijo, ao lado do táxi
atrasando por um dia o carinho mais a sós
Não seria justo conosco que aquele fosse o último
Grandes romances podem ter um fim assim estúpido?
Eu temo que um beijo traiçoeiro
te tome o fôlego para voltar
Eu tenho medo que um instante derradeiro
chegue sem hora marcada, entre o hoje e o amanhã
ceifando o que plantei nos espaços entre nós
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008

Guardiã das noites que não tivemos
Para onde puxarás as rédeas do meu desejo
Da minha língua que quer invadir
O sal de cada poro teu
Onde me sinto sem castidade
Onde livre sou fiel
Eu, exausto morro em teus braços
Como o verão no abraço do outono
Eu, sem dono...
Andaremos de mãos dadas por aí?
Eu, se cativo, já não vivo!
Morrerei sem ter tido
O gosto de ter pertencido a ti?
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Dia pós dia
Bar após bar
Um pé depois do outro
De boca em boca
Borrando teus vestígios sob minha pele
Luzes rastreiam os cantos em que me refugio
E corro os olhos de cruzarem nova paixão
Sugando em cada cigarro a inspiração
Antes vinda de teus sons
E tanta gente passa por mim
Levando a pele de minhas costas
sob as unhas
Números que preenchem algum vazio na agenda
E nenhuma opção há
No sobressalto banhada de suor
entre um pesadelo e outro
Talvez melhor fosse
Abandonar-me na loucura
Que me teve por filha a vida inteira
E parar de negar a natureza que me fez
Sozinha no mundo
Tenho buscado mansidão...
Onde vasculhar o que me faça te odiar
Pra não tirar os pés do chão?
sábado, 13 de setembro de 2008
Eu tinha um peixe; assim, no passado. Porque o beta vermelho, peixe de uns cinco centímetros e cauda vistosa, morreu. É curioso como usamos o pretérito quando nos referimos aos mortos (tão curioso quanto a tendência automática em santificá-los). Mesmo correndo o risco de soar romântico demais, afirmo que nestes casos sempre preferi o presente. Acredito que a existência não se finda com a morte; em verdade, acho que o existir depende muito pouco do estar vivo. Quase nada.
Eis como a existência revela-se imaterial, subjetiva e relativa a cada um de nós: é só a partir destas linhas, por exemplo, que o meu peixe existe para você. Antes, era apenas mais um objeto incógnito do meu quarto; não existia, em absoluto, no seu mundo relativo.
Krill é vermelho-tango, de reluzentes e pomposas escamas. Apesar do aviso sincero da vendedora, de que “o peixe duraria no máximo um ano e meio”, Krill não deu ouvidos à estatística; nadou e comeu por longos dois anos e oito meses. Durante todo esse tempo, viu-me rir, chorar, cantar e dormir. Viu inclusive o que não devia, para ser sincera.
Krill costumava reagir de forma agressiva quando estranhos o encaravam por muito tempo. Abria as guelras e investia com força contra a parede do aquário, para depois nadar irritado, em voltas, como que frustrado com as próprias limitações que a vida de peixe impõe. Krill queria mais; queria ser o dono do lugar, o guardião onipresente daquele mundo distorcido pelas deflexões da água. E ele fez questão de deixar isso claro desde o começo da nossa telepática relação – vi-me obrigada a comprar um aquário maior para acabar de vez com os deliberados empurrões contra a tampa anterior. Em outras palavras, aquários de peixe beta não combinavam com o Krill. Em suma, ele nunca foi um beta qualquer – por mais parcial que seja tal afirmação.
Krill morreu com a cabeça pousada na pedra que mais gostava; não boiou. Encontrei-o deitado, olhando em direção à minha cama. Talvez me observava dormir (como ele sempre fazia) pela última vez. Talvez tenha morrido revoltado com o resultado das eleições. Ou talvez tenha enfim percebido que nenhum peixe beta sobrevive tanto tempo. Sei apenas que, enquanto embalava-o em papel alumínio (para depois jogá-lo ao lixo, o cemitério dos pequenos seres urbanos), vi-me constrangida por não sentir nada além de um patético carinho. Não exagero a ponto de achar que Krill merecia um enterro nobre ou luto por sua memória; mas quedei-me com a impressão de que ele merecia uma lágrima, ao menos. “Quem lacrimeja ao ver comercial televisivo pode muito bem derramar uma lágrima em memória de um finado querido”, pensei.
Nessas horas, porém, sempre fui incapaz de chorar.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O sol invade a vidraça
E eu me abraço forte
E as horas transbordam da planilha
-ninguém disse que a vida é fácil –
Quando chega a tarde, o ônibus passa
Tremem as fundações, a mesa, a massa;
E eu sinto que é tudo muito frágil.
Atravesso a catraca, a calçada, o aço
Enquanto falo sozinha na rua,
Poucos percebem
que meus olhos choram teus pedaços
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Soprou como vento norte
E os olhos arrastaram
As folhas que cobriam
A intenção
Um suspiro
Aliviou os cortes
Quando as mãos afastaram
Os segredos
e o possível não
Movimentos de cabelos
Palavras que remontam certa noite
Olhos que pedem perdão
Corpo que não pede respostas
Uma mulher me pediu
Pra ser minha inspiração
sábado, 30 de agosto de 2008
Teu riso dentro do beijo
Um abraço nos teus cabelos
No coração uma flor se abriu por instinto
No teu sexo uma concha
À pérola rara parindo
Tua pele uma lâmina
Que revela a minha até a alma
Num frisson de gelar os dentes
Entre dedos e pêlos que maneiam
Busco teu grito nos teus seios
Que há muito nossos corpos anseiam
Inutilmente em tantos porquês
Uma pausa
Um suspiro
Um abraço
E mansamente o dia nasce outra vez
quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A dúvida é minha
A culpa é tua
Leva a linha tênue que
Nos mantinha
Fico com meus botões
Até a cama ficou nua
Das cobertas que tinha
E das tuas canções
Abra a porta por mim fechada
Toma a taça que te dei
Revide o tapa em película gravado
Rasgue as cartas que marquei
Revire e cate teus poemas
O que importava eu queimei
Deixe-me qualquer um, tanto faz
Vai com teus livros e beijos
Pegue o que for teu – eu
E devolva a minha paz
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Agora que tens um segundo plano
Surgiu um terceiro
Que leu a poesia que era pra ti
Abriu o vinho para mim
Sorriu e começou a me despir
Agora que voltas com ombros caídos
Me pedindo colo, me pedindo abrigo
Alguma luz se apagou
A agulha no disco pulou
Alguém me puxou pela mão
Alguém no meu ouvido falou
Agora que te sentes livre
Eu já não sei se quero ir
Alguém me fez sentir
O sabores de perfumes
E as cores que eles têm
Me tornei amante do mundo
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Estrela que me chama a atençãoDentre todas as outras, és mais, és paixão
Me persegues, instigante
Pedes por tudo que sou capaz
Representas as noites que trago na alma
Minha sede de luz e calma
És presença intrigante
De esperança e paz
Em toda parte me acompanha, vai além
E me pergunto que sentido tem
Quando sento os pés no chão
Por que brilha ainda
Se esta noite finda
quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Quando a distância é medida em tempo
Quando o sexo é obra de arte
Quando meio sorriso é comprimento
Quando o sonho faz suar
Quando a lembrança transporta
Quando o silêncio sufoca
Quando a ausência é pesar
Quando outra opção não importa
Quando tudo que é tanto mais
Vira qualquer coisa assim
Quando não-sei-mas-não-me-deixe-em-paz
Quando o que eu tento matar
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Rebuscava na memória os termos mais adequados
E compunha versos sem rima com língua e dentes
Os olhos corriam a folha estudando
E recitava te pedindo opinião
Lendo as expressões de teu rosto
Palavras de silêncio que se traduzem em arfar
O corpo da poeta contempla a obra a suspirar...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A gente pensa que é a ausência que faz o vazio
A gente se entorpece tentando conter o frio
A gente empobrece sem querer perder o brio
As coisas nos cercam tentando preencher a lacuna
Nos enchemos de todos sem resgatarmos coisa alguma
E no fim se é que tinha nos resta saída nenhuma
Ai de nós que nos esvaímos de gota em gota
Pedaços de nós, poetas, em cada boca
Distorcendo cada palavra que lapidamos
E de nós a voz já não sai nem rouca
Ao fim da história tão pouca
De quem guiou a vida pelo vento
Tanta escrita e lamento
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Depois fez-se calmaria. Houve uma pausa aqui dentro.
Não sei bem o escrever desde então.
Poema enquanto pulo o meio fio
Águas que correm sobre as pedras,
Que mãos modelam suas curvas

E traçam a rota que faz?
Águas agitadas, límpidas, turvas
Todas elas vindas de um mesmo céu
Que em chuva agora jaz
Águas que num desespero mudo
Vasculham todas as frestas
Com pressa de chegar
Água, água, que confusa está:
Por que tanta pressa,
Se para o mesmo céu retornará?
E eu agora exorto você,
Nostálgico, esperando a chuva passar:
Repense logo sua vida,
pois não é somente a chuva
Que brevemente passará!
segunda-feira, 28 de julho de 2008
ela, sorrindo, faz-me sonhar.
E fala, movimentos, e grita;
contorce, expressa, suplica.
Quieta ouvindo, ou vindo;
faceira, lasciva, sentindo;
dança de flerte, pedindo
momento íntimo. Lindo.
Mesmo escondida, tímida, ela sorri;
ela observa! sei, pois sempre senti.
E convida, leve, a deliciosos prazeres
que se revelam, claro, antigos quereres.
Depois, durante, olhando chorando suando,
diz-me que sou o agora, o tempo flutuando;
abraça-me toda, desespero, caindo, arfando;
jibóia, sorrindo, paixão com amor, me amando.
O seu corpo feminino e lindo.
Só ele.
Chegando, sentindo, abrindo.
Olhando, vindo, partindo.
Andando...
Amando...
Existindo.
domingo, 27 de julho de 2008
Acordo no meio da noiteNa escuridão do teto
teu rosto brilha num sorriso
O céu se abre em volta de você...
Eu levanto, bebo água, ligo a tv...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
E na escuridão do teto
teu rosto brilha, num sorriso...
Eu caminho, acendo um cigarro, ligo o pc...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
Na tela do computador
Na foto, na letra, no som, é você...
Eu me agito, tomo um remédio, desconecto...
Só quero me deitar
E ver teu rosto na escuridão do teto
Brilhando num sorriso
Já não durmo sem você...
Me reviro e penso em nós...
Meu corpo não relaxa sem teu riso
Na escuridão do teto
teu rosto brilha num sorriso
O céu se abre em volta de você...
Eu levanto, bebo água, ligo a tv...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
E na escuridão do teto
teu rosto brilha, num sorriso...
Eu caminho, acendo um cigarro, ligo o pc...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
Na tela do computador
Na foto, na letra, no som, é você...
Eu me agito, tomo um remédio, desconecto...
Só quero me deitar
E ver teu rosto na escuridão do teto
Brilhando num sorriso
Já não durmo sem você...
Me reviro e penso em nós...
Meu corpo não relaxa sem teu riso
Eu fecho os olhos para ouvir a tua voz...
quarta-feira, 23 de julho de 2008
...eu te remonto nas palavras
nos pedaços que colhi no meu colchão
em noites mal dormidas
sobre livros folheados à procura

de sinônimos em versos
que dissessem de mim, de você...
Você, nas reticências
No silêncio das veias
Nos olhares escapados em frestas
Do que não dissemos
Depois do teu abraço
Longas e cúmplices horas
Descubro aos poucos
Tua verdadeira imagem
-apaixonante curiosidade –
mas ainda restam tantas peças...
Em qual delas vou estar?
terça-feira, 22 de julho de 2008

Deslumbrei-me com o que
Antes era um sopro
E minha loucura elegorizou
Agora como que por encanto
Presa em sua tez
O mundo me tem em pranto
E já não sei o que de mim se fez
Em sonhos de quimera
Perco-me na noite
Entre mãos e pernas
Paixões e embriaguez
A vida, eu bem quisera
Não fosse no peito um açoite
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-iris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.
(António Ramos Rosa, "viagem através de uma nebulosa", 1960)
terça-feira, 15 de julho de 2008
As mágicas que aprendi
No teatro místico que ingressei
Mas é antiético.
Queria escrever aqui
Meu diário de sonhos
Com seus personagens sem rosto
Que se esfregam como velhos conhecidos
Sobre um romance secreto
Mas ele perderia o brilho
Sobre de onde vêm minhas dores físicas
Mas quem olharia para as de dentro?
Sobre um refúgio que descobri
Mas outros certamente iriam conferir
Quero falar daquela menina estranha
Que ainda não conheci
Quero cantar a música que compus
Pra alguém distante sem saber porquê
De tão interessante que estes dias foram
Não soube mais o que escrever
É sempre assim:
Fica no plano do não dito

quinta-feira, 10 de julho de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008

E um beijo me causava soluços
Um orgasmo extravasava-me um choro
E me abraçava com cabelos de bruços
Seu sexo me mordia as pernas
E com os olhos me dava de comer
Enxugava a tempestade
com nossos lençóis
E inventava contos
pro meu sono passar
Tecia uma rede com músicas
E ali desarrumou o meu lugar
Despenteava minha idéias
E deslavava minha cara
E via cores escorrendo
Nas curvas das minhas veias
Cravava sua pele macia
Em meus dentes
E pra meu desassossego
me arrancava poesias
Ela fez tudo ao contrário
De repente perdi de vista o fim
Seus pés sempre corriam contra a mão
Correram porta a dentro
Pra dentro de mim
quarta-feira, 2 de julho de 2008
segunda-feira, 30 de junho de 2008
estive fora do ar por três dias...
ao decidir
me pediu que eu não fosse
Alguém
antes de eu ir
desejou que eu me apaixonasse
Alguém
ao partir
quis que eu ficasse
Eu, só sei sentir...
"Me atirava do alto na certeza
de que alguém segurava minhas mãos,
não me deixando cair.
Era lindo mas eu morria de medo.
Tinha medo de tudo quase:
Cinema, Parque de Diversão, de Circo, Ciganos...
Aquela gente encantada que chegava e seguia.
Era disso que eu tinha medo, do que não ficava pra sempre."
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Não há nada mais inquietante
Do que a véspera
A suposta possibilidade de se ser feliz
A provável ventura de um amor encontrado
Não se sente nada mais profundo
Do que a véspera
Ao imaginar o futuro
Toque dos sentimentos derrotados
Não há nada mais calmante
Do que a certeza da véspera
Aquela que vem antes do tão sonhado
Encontro do outro dia
Não há nada de mais
Na véspera não ansiada
Do que já é realidade
Sagaz essa felicidade
terça-feira, 24 de junho de 2008
Mas e se tudo ruirAs flores que plantei
Os escudos que construí
Nos caminhos que andei
Em lugares que vivi
Mas e se tudo fluir
As sementes que soprei
No vento que senti
De palavras que pensei
E jamais proferi
Mas e se você não vir
Os porta-retratos que quebrei
Nas paredes que destruí
Com as cores que pintei
De sons que não esqueci
...que ressaca isso dá! Espetáculos teatrais sexta, sábado e domingo. Só agora to me aprumando...
Poderia me perder aqui escrevendo o que pensei anotar na memória enquanto assistia, mas vou dar o resumo da ópera. Algumas considerações:
Sexta, com mais fina companhia, fui assistir finalmente o badalado Imembuí, espetáculo musical que conta a fantástica história de amor de uma índia e um forasteiro que deram origem a essa aldeia chamada Santa Maria. Tenho lá minhas dúvidas sobre a verossimilhança da romântica história. Tenho minhas dúvidas sobre o espetáculo. Saí cheia de dúvidas! Quem era o velhinho vestido de soldadinho de chumbo que recitava em playback??? Por que o índios eram afros e dançavam street dance com roupas de funk? Por que quem se caracterizava de índio tendia a vestir-se de moita? Gente,eram uns arbustos!Por que o narrador pilchado usava microfone de haste auricular e a cantora que representava Imembuí fazia trejeitos de cantora de barzinho segurando um baita microfone?
O melhor, e impecável, sem dúvida fui o instrumental ao vivo, bravo meninos!
Sábado fui assistir finalmente Aline Maciel em seu monólogo, uma adaptação do conto de Jorge Amado: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.
Linda apresentação, cujo intuito é o resgate da arte de contar histórias. Ao final pude participar do debate que se deu após o comentário da comissão julgadora. Confirmou-se o que sempre falo, mais que talento, é preciso que a atriz tenha graça (no sentido mais virtuoso e menos raso da palavra)! Fui ao teatro sozinha, mas tive sensação de plenitude, ainda mais quando o personagens tomavam forma dentro de mim e um cenário surgia à volta da contadora.
Se dependesse da minha nota como júri popular, teria eleito!
Aliás, esse esquema do FETISM de debate e júri popular ficou ótimo!
Domingo fui assistir minha ex e futura professora de Técnicas de Representação, Taís Ferreira em Platero e Eu.
De cara pensei “não devia ter trazido meu filho”. Muito interessante o trabalho de pesquisa também em cima da arte medieval de contar histórias.
Mas... saí da peça com uma certeza (ao contrário de sexta) :
prefiro os gestos sutis que falam tanto mais.
...que ressaca isso dá! Espetáculos teatrais sexta, sábado e domingo. Só agora to me aprumando...
Poderia me perder aqui escrevendo o que pensei anotar na memória enquanto assistia, mas vou dar o resumo da ópera. Algumas considerações:
Sexta, na mais fina companhia, fui assistir finalmente o badalado Imembuí, espetáculo musical que conta a fantástica história de amor de uma índia e um forasteiro que deram origem a essa aldeia chamada Santa Maria. Tenho lá minhas dúvidas sobre a verossimilhança da romântica história. Tenho minhas dúvidas sobre o espetáculo. Saí cheia de dúvidas! Quem era o velhinho vestido de soldadinho de chumbo que recitava em playback??? Por que o índios eram afros e dançavam street dance com roupas de funk? Por que quem se caracterizava de índio tendia a vestir-se de moita? Gente,eram uns arbustos!Por que o narrador pilchado usava microfone de haste auricular e a cantora que representava Imembuí fazia trejeitos de cantora de barzinho segurando um baita microfone? (Faço aqui uma ressalva à Débora Rosa, de talento incontestável)
O melhor, e impecável, sem dúvida fui o instrumental ao vivo, bravo meninos!
Sábado fui assistir finalmente Aline Maciel em seu monólogo, uma adaptação do conto de Jorge Amado: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.
Linda apresentação, cujo intuito é o resgate da arte de contar histórias. Ao final pude participar do debate que se deu após o comentário da comissão julgadora.
Confirmou-se o que sempre falo: mais que talento, é preciso que a atriz tenha graça (no sentido mais virtuoso e menos raso da palavra)!
Fui ao teatro sozinha, mas tive sensação de plenitude, ainda mais quando os personagens tomavam forma dentro de mim e um cenário surgia à volta da contadora.
Se dependesse da minha nota como júri popular, teria eleito!
Aliás, esse esquema do FETISM de debate e júri popular ficou ótimo!
Domingo fui assistir minha ex e futura professora de Técnicas de Representação, Taís Ferreira em Platero e Eu.
De cara pensei “não devia ter trazido meu filho”. Muito interessante o trabalho de pesquisa também em cima da arte medieval de contar histórias.
Mas... saí da peça com uma certeza (ao contrário de sexta) :
prefiro os gestos sutis, que falam tanto mais.
sábado, 21 de junho de 2008
“Era madrugada ainda e eu já escrevia poesias lancinantes à sombra promissora dos teus olhos numa foto em sépia...”
Este é o início, e era pra ser um conto. “Vou tentar, nunca escrevi um!”
Mas parei por aí, pq já tava saindo outra poesia...
Minhas poesias não têm métrica ou rima, minhas crônicas têm musicalidade...afinal o que eu sou?
Deve ser isso que significa o centauro do meu signo...
quinta-feira, 19 de junho de 2008

Quando leio entrelinhas de alguém distante
Que se confirma comigo nos momentos mais inesperados
Numa saudade velada das carícias que não trocamos
Não há dor, e é bom...
Mas é como se, numa fração, assim de repente
tomasse um soco,
no meio da multidão
ou enquanto dormia, que me fizesse acordar
ou no meio de uma música, de olhos fechados
bem na boca do estômago
sem nem ter visto de quem ou o porquê
E fico segundos, rendida, sentindo
Tentando entender
Como se chama esse prazer
(de sentir-se nocauteada?)?
Eu falei que não tinha nome...
quarta-feira, 18 de junho de 2008
A turma em peso foi prestigiar a peça dirigida por Cláudia Schulz (a mesma professora da avaliação de segunda-feira).
A Cláudia teve sacadas brilhantes como encenadora, conseguindo ilustrar a história de maneira lúdica e implicitamente poética. Cenário, figurino, luz... Dez!
De repente estávamos nós, os alunos, na platéia avaliando quem nos deu as primeiras noções de encenação.
Sobre segunda...
Então, o ensaio do domingo era geral, para as encenações de conclusão do semestre. Me apresentei em três, duas delas como atriz e uma como diretora, pela qual fui avaliada. Todos deveríamos estar na 1220 as 7:30h, meia hora antes de iniciar.
Trabalhei feito bicho a madrugada de véspera inteira e (pasmem) deixei todo material arrumado na mochila esperando amanhecer. Programei o celular e resolvi dar uma cochilada no sofá.
Sol na sala.
“-Giane...Giane! Tu não tinha aula hoje?”
“(que teto é esse? Que dia é esse? Que horas são????)
...
“-Corre seu moço! Era pra ta lá há uma hora!!!”
Cheguei entregando o cd com a trilha, me despindo porta a dentro, me vestindo de outra e subindo no palco.
Ao final, risos, aplausos, avaliações e comoção de todos com a Claúdia que chega ao final de seu contrato com a UFSM, tendo conquistado TODA turma com carisma e competência!
Ainda no domingo...
“Quase segunda.”
O ponto é que eu sinto.
Poderia pensar o contrário, mas meu sono tem um fundo de verdade
e uma ironia de mentira:eu almejo e não consigo.
Ou não deixo. Ou não digo.
A lição de hoje? Apaixone-se.
A de ontem também.
E a de sempre, a de amanhã;
somos todos reféns.
...A cama já se vê...
boa noite a mim mesmo.
Boa noite a você.
Então, o ensaio de domingo era para as encenações de conclusão do semestre, das quais participei de três, sendo duas como atriz e uma como diretora. As apresentações começaram as 8h, para dar tempo de todas as...20?...se apresentarem. Trabalhei feito bicho a madrugada toda e deixei minha mochila pronta na noite anterior. Resolvi cochilar no sofá por duas horas e programei o despertador.
"-Giane, tu não tinha aula hoje?"
Abro os olhos. O teto branco da sala. "Que dia é hoje? Que horas são?". "Acelera seu moço!!! o senhor não tá entendendo, já era pra eu estar lá
domingo, 15 de junho de 2008
sábado, 14 de junho de 2008
correndo para não perder.
Eu perco a linha,
a hora certa de me recolher.
E a hora de acordar,
claro, eu perco também.
A absolvição é outra;
durmo antes de dizer amém
.A paciência, acredite,
essa eu já perdi faz tempo.
E até já perdi o freio
de um carro que perdi batendo.
Perdi o fio da meada
pelos motivos de sempre.
Perdi o memorizado
pois guardei-o inteiro na mente.
O que podia não foi;
patética vergonha de agir.
Perdi-a assim, adeus;
resta-me, tolo, sonhar e pedir.
Agora ando andando assim,
andando a esmo.
Sou inércia,
perco-me em mim mesmo.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Caio Fernando Abreu
...e esta é Clarice... Quem, escritor, louco e apaixonado, não morre de medo e vontade de ser um pouco
Caio e Clarice?
Escrita,
loucura,
paixão...
Vontade de ser...
O que me falta é medo!
"cartas"Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.

...e esta é Clarice...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Mulheres despedaçadas
Mulheres cobertas
Mulheres despudoradas
Curiosas, problemáticas,
Românticas, incompreendidas
Olhares baixos, voz apagada
Umas desconhecem o prazer
Outras me pedem pra explicar
Umas me dizem que não
Outras me puxam pra dançar
Me contam segredos
Me pedem ombro e colo
E antes que eu negue
Fazem morada aqui dentro
Me arrancam poesia
Umas horas, as odeio
Mas aí... no outro dia...
quarta-feira, 11 de junho de 2008
A poesia tem pressa de seu propósito
Se espalha na folha
E é jogada aos olhos
Sem pedir licença
A poesia é cuspida e recusada
A poesia é amassada e jogada
A poesia é levada pelo vento
É arrastada pela chuva
É tragada pelo bueiro
A poesia entala nas frestas
Transborda as ruas
Incomoda alheios
Interrompe o trânsito
Pára a correria.
A poesia parou o dia.
terça-feira, 10 de junho de 2008
...pois então, foi isso que eu fiz ontem à noite:
http://www.sahea.net/fotos_blog/pletorax/flyer_web_santa.gif
Adoro quando percebo que a arte não perde a capacidade de me impressionar! Devo o prazer de ontem à minha amiga Mari, que praticamente puxou minhas cobertas via celular e me levou na CESMA.
Não conhecia o trabalho deste poeta e agora vou juntar meus pilas pra comprar seu livro e reler a poesia de ontem, que entrou em mim audiovisualmente. O cara brinca seriamente com palavras e os sons que elas têm, cata no mundo uma poesia que pouca gente eu vi perceber no cotidiano, e joga tudo na cara da gente. Fiquei remexida por dentro. Uma sensação de "como é que eu não tinha pensado (ouvido, visto, sentido) isto antes?".
"Pra quem tem fome de poesia, prato cheio é uma folha vazia" - Marcelo Sahea (= o cara!)
Depois disso, aí sim eu dormi, saciada...
domingo, 8 de junho de 2008
Tenho uma pra contar, daquelas do Jonas:
Ele chegou em mim com uma régua de 20cm e apontou no 5 dizendo:
-Mãe, minha idade tá aqui, e a tua?
- ... é... Filho, busca a trena do teu pai...
-Bãi, tu é tão velhinha assim???
-É, mais ou menos…
-Ah, mas pra mim tu é uma guriazinha com a idade aqui...
(o dedinho tava no dez...)
Acho que fui, sim; moleca que corria com as sandálias enfiadas nas mãos; rindo de ar inocente, olhos de esperança, mãos de amor.
Mas então vieram os talões de cheque, os desperta-as-dores e os estacionamentos de cinco reais à primeira hora. E foi tudo tão rápido – e pior, tudo tão desavisado – que as tais rugas de expressão cresceram para a chacota óbvia ao bordão
“cultive a criança que existe em você”.
Eu olho pela janela,
e tudo passa tão rápido e é quase sempre cíclico.
Hoje eu sou uma constante tosse que anda, com sono, um pé após o outro- não é assim que tem que ser?
Exausta. Desta patética inércia que me prende à cama apesar do despertador. Das perguntas fúteis, das bolsas que roçam, das contas não pagas, da falta de freio. Da timidez que me foge ao comando. Dos gerúndios quase poéticos.... das reticências.
Dos falsos cumprimentos e das impertinentes expectativas. Das pertinentes expectativas.
Das portas do elevador que teimam em fechar antes de mim; sempre atrasada, sempre correndo sem mesmo saber o fim.
O sono me vive, eu vivo com sono; e os dias são sucessivos... PS´s; Post Scriptum, , Pronto-Socorro. ..
E, à noite, poucas palavras, nenhum som. E tanta escrita.
Canso-me pela divergência, pelo ritmo que me inquieta, pelas histórias que não.
E tudo passa tão rápido e é quase sempre cíclico. E eu, olho pela janela.
Eu cansei de não saber pra quem falar; de não saber o quê.
Eu cansei de ter tudo, e não ter nada, não saber por quê.
Eu não quero mais tremer de medo, eu não quero mais me ouvir chorar baixinho.
Eu não quero mais tentar me abraçar à noite. Chega de travesseiro molhado, chega de vazio sufocante e mágoa não-sei-de-quê.
De resto, não tenho mais nada a perder; só este eterno engasgo sem nome e sem forma.
Prefiro, então, a ausência. O não-estar e o não-ser não podem ser menos confortáveis que isso.
sábado, 7 de junho de 2008
é a parte mais dolorida
A parte mais dolorida não é quando termina...
É muito antes ou muito depois do fim
...é quando a gente secretamente se dá por vencida
é quando ainda se tem uma carta mas não se paga pra ver
é quando ainda poderia, mas não tem mais por quê
é quando não se quer mais saber
é quando não se sabe o que sentir
Desistir de alguém é desistir de parte de si
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Uma mulher me desafiou a escrever em público!

Aqui estou eu, finalmente... Não é a primeira vez que me motivam a mostrar o que escrevo, "vc devia...vc devia...", enfim, veio a chamada certa: "Eu te desafio a escrever um blog!"
quinta-feira, 5 de junho de 2008
"Quem me quer não me conhece; quem me conhece me teme".(Clarice Lispector)
Minha primeira postagem não poderia ser outra senão esta, com um breve apanhado sobre mim:
Sou velha demais e criança demais para minha idade! Tenho a triste mania de acreditar no ser humano, perdoar as mentiras que me falam e me apaixonar por novos planos.
E tímida. Mas só com quem eu conheço bastante, bastante para falar de mim, bastante para olhar dentro dos olhos... eu não sei falar de mim...
Eu sou cheia de manias. Ninguém as conhece por completo - não porque eu não queira, mas porque são muitas. Algumas manias são inofensivas. Já outras, com o passar do tempo, tornam-se insuportáveis. Casar comigo é praticamente impossível - eu não casaria- mas tem gente que consegue...rs
Eu insisto em discutir. Nunca fui muito do estilo "deixa pra lá", a não ser no que falam de mim. Defendo minhas opiniões com tanta veemência e euforia que as pessoas geralmente julgam-me como “pretensa dona da verdade” – ou simplesmente concluem que estou irritada. E a verdade é que eu adoro ouvir as opiniões e experiências alheias. Eu adoro ensinar. Sinto um profundo sentimento de satisfação quando explico algo e o ouvinte entende - uma sensação plena e intensa de tarefa cumprida. E eu sei muito menos do que eu queria saber. Eu sei pouco, muito pouco, embora sempre esteja lendo mais de dois livros...
Eu adoro arte, de todos os tipos!Meu gosto musical varia de Mercedes Sosa a Iron Maiden, passando por Chico Buarque, Janis Joplin, Bethânia, Trip hop e muita Billie Holiday e Piafh, que faz bem pra saúde.
Amo a noite, acho desperdício dormir! Adoro assistir Tele Curso 2000 quando chego, comendo sanduíche de strogonoff gelado.
E eu amo meu trabalho.
Eu simplesmente não sei dirigir devagar. Tenho cacoete de dirigir fumando, e a porta do meu carro se abre para outra dimensão! A cerveja é uma das minhas melhores amigas. Talvez a melhor.
Eu odeio ignorância e apatia. Com todas as minhas forças! Para ser sincera, acho que odeio coisas demais. Eu queria ser mais plácida e impassível (mas eu odeio pessoas impassíveis).
Odeio torneiras que desligam automaticamente e ventiladores que supostamente secam as mãos - eu ainda mato quem inventou aquilo. Odeio pré-conceitos (de todos os tipos). Odeio pessoas que batem e empurram enquanto falam; economias desnecessárias, produtos de marcas genéricas e carros cujo nome pode ser colocado no diminutivo, e o silêncio entre mim e a atendente do Mc´Donalds quando ela pergunta objetivamente que número eu quero. E eu odeio partidos e todas suas falsas ideologias.

