A minha mulher deixa o rastro
De suas saias por onde passa
E molda o vento quando mexe nos cabelos
Reinventa um novo plano
Sussurrando com voz mansa
Ela chega sempre a leves passos
E brinca com a imaginação
De quem observa meus olhos
Embriagados pela sua dança
E sorri enquanto me beija
E me puxa pela mão
E quando ela me deixa
Promete que sem demoras vai voltar
Diz que andou lendo outros poetas
E sigo pelo faro um caminho
De volta suspenso pelo ar
E quando ela retorna
Conta a história de sua cicatriz
Apagando aquelas que fez em mim
Eu, que pro amor só sei dizer sim
Me preparo novamente
Pra cansar de ser feliz
Palco de Palavras
Aquele que compõe um poema, o faz para acalmar os tumultos do coração, e aquele que o descobre, lê ou escuta, reflete a imagem de um outro que existe em si mesmo, embora o desconheça.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Lúcia
domingo, 26 de abril de 2026
Para celebrar a visibilidade
Indomáveis por vezes
Tomava as cores e formas do que carregava por dentro
Tinha os olhos fugidios como os pés
E as horas da madrugada
Sempre avançando quando lhe pediam pra ficar
Tinha o coração como albergue
Aberto à gente de todo tipo e lugar
Tinha os gestos e as palavras contidos
Incoerentes com a fera que parecia ser
Mas no sexo era doce
E isto era sempre pouco para quem a tomava
Enquanto a amavam
Olhava pela janela
Era apaixonada pelo mundo
E este não cabia em nenhuma cama
quarta-feira, 19 de março de 2014
E quando eu te tiver nos braços, me escuta: você terá a realidade dos teus sonhos.
Não pretenda minha fúria, queira-me mansa. Não pretenda minha mansidão, queira-me intensa. Perceba quando eu digo um sim dentro de um não.
E quando eu te tiver nos braços, me escuta: só te restará a escolha entre a tempestade e o furacão.
E quando eu te tiver nos braços, me escuta: você terá a realidade dos teus sonhos.
Não pretenda minha fúria, queira-me mansa. Não pretenda minha mansidão, queira-me intensa. Perceba quando eu digo um sim dentro de um não.
E quando eu te tiver nos braços, me escuta: só te restará a escolha entre a tempestade e o furacão.
(Marla de Queiroz, escritora e mulher que admiro, com todos as qualidades doidas e doídas de ser uma e outra ao mesmo tempo. Para saber mais e mergulhar no universo dela como eu fiz, acesse http://doidademarluquices.blogspot.com.br/)
segunda-feira, 17 de março de 2014
Te vi saindo e tive vontade de te chamar
Pra te dizer que tive vontade de tocar teus cabelos
Enquanto você me cantava
Tive vontade de te beijar cada vez que você sorriu
Eu quis te dizer que te quero naquele abraço
Mas não disse
Não fiz.
Eu não sei o que me dá por dentro
Que me trava por fora
terça-feira, 4 de junho de 2013
Ela já tem compromisso
Mas quer ter alguém
Ela iria até o fim do mundo
Mas quer ir além
Seus pés eternamente indo
Me pedindo pra ficar
Meus olhos cansados
À procura de versos
Brilham com sua aparição
E à procura de respostas
Vejo que minha sorte passa
Pelas linhas de sua mão
E ela corre dia e noite,
Contra as horas e corre pra salvar o mundo
Corre atrás de seus desejos
De uma roda de samba
Foge da situação
Mas à noite, no silêncio de sua cama,
É o desejo que a encontra sozinha no colchão
domingo, 19 de maio de 2013
(Manoel de Barros)
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
domingo, 28 de outubro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Primeiro é o ajeitar-se na cama que fica difícil
De repente você precisa comprar um novo colchão
Aquele buraco nele nunca incomodou tanto
ali havia um braço
Naquele outro uma coxa
As cobertas não são pesadas o bastante
E você se vê insone pela casa
De repente você admite que se tornou chocólatra
E a carência de mais um bocado te agita por dentro
E resolve tomar um café
Que não tem aquela espuma
Que não tem temperatura certa
Que não tem gosto
Galeano nunca te comoveu desse jeito
Nem as flores tinham nomes e simbolismos
Nunca amou tanto aquela pinta no próprio corpo
Nem reparou no próprio pescoço
Os banhos passaram a ser mais demorados
Ao final do dia
Que nunca se arrastou tanto
De repente você abre os olhos
abre os poros
de repente precisa de mais temperos
de repente o sal está na pele
e nenhum sabor é o bastante
de repente, no meio de tudo
você fecha os olhos
e se pega sonhando outra vez
sem precisar da cama
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Então decidi comê-la.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
O blog parece abandonado...
Mas todos os dias venho visitá-lo
na esperança de que
as palavras finalmente voltem do coma
Colho a flores que depositaram
os generosos passantes em comentários
Penso em tudo o que tenho para lhes contar
e fumo um cigarro enquanto imagino a quem interessaria
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Eu não sei mais o que sentir quando eu me toco.
Eu preciso de um sábado
para ir dormir até tarde no domingo.
Eu preciso de oito dígitos
para ter milhões de falsos amigos.
Eu preciso de um título
que sirva a todas as minhas anotações.
Eu preciso de calmantes
para sufocar com as mãos minhas emoções.
Eu não sei mais o que cortar quando eu recordo.
Eu não sei mais o que mentir quando eu me choco.
Eu não sei mais o que marcar quando eu anoto.
Eu não sei mais o que banir quando eu me jogo.
Eu não sei mais o que ferir quando eu não gosto.
Eu não sei aonde fugir quando não suporto.
domingo, 3 de outubro de 2010
Sei que domingo é para ser dia de descanso. O meu ao contrario começou muito cedo indo votar com a cabeça pesada de samba e cerveja da noite anterior. De dever cívico cumprido, peguei o Jonas e fui dar um passeio relaxante como foi aquele ao zoológico. Aceitei um simpático convite de uma amiga para conhecer o sítio da vó dela e almoçar e nos fomos a Três Barras. Um pouco de verde sempre faz bem...
Tudo isso é muito light quando se tem pelo menos um carro pra se por o jogo de raquetes, a pipa, o lanche, roupas, meias e até sapatos extras para um dia fora. E esta é a lista básica, porque criança sempre dá um jeito de pisar, sentar ou virar o que não deve logo no início do dia. Passei o dia monitorando ele que ora estava no alto de uma árvore, noutra estava alimentando um touro, noutra correndo pro açude, noutra cutucando casa de marimbondos. A camiseta desde cedo tava toda babada pelos cães do sítio que há muito não viam crianças por lá e as calças manchadas pelo escorregador também já enferrujado.
Quando enfim o fim da tarde chegou e nos preparávamos pra ir embora, minha amiga foi mostrar a casa ao lado, onde morava sua avó e como o piano chamou atenção, pedimos que ela tocasse para nós.
Aquela senhora fala com dificuldade e se move com mais dificuldade ainda. Pianista por formação, contou que sua peça de formatura continha dezessete páginas e que ela sabia decor, mas que hoje não tocava mais, que há muitos anos não tocava. Pediu os óculos, se posicionou, cutucou algumas teclas pra saber se elas ainda estariam vivas, arrancou os óculos do rosto e começou.
O Jonas pela primeira vez no dia parou. Sentou-se na cadeira de balanço dela de frente para o piano e só tirava os olhos das mãos dela para observar algum porta-retrato sobre o piano. Ela, tendo platéia, ousou fechar os olhos por segundos e as mãos alçavam pequenos vôos sobre as teclas, aspergindo notas no ar...
Eu, enquanto isso, pensava se era a canção que embalava a cadeira ou se era a criança que embalava aquelas mãos...
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Pra falar de dor
Eu te faria um poema
Que te rasgasse o ventre
Que te pulsasse o sangue quente que não tens
Meu amor
Se um poema fosse possível
Pra te calar a boca
Eu te faria um poema
Que te beijasse por dentro
Que te tremesse de medo
Meu amor
Se um poema fosse possível
Pra te fazer assim sentir como eu
Eu te faria um poema
Pra acabar de vez com a dúvida
De que, o que me consome
É amor...
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Espreitando tua próxima frase
Quem te prende noutra janela
Enquanto derramo flores e versos
Dentro da tela
Gerúndios
Reticências e gerânios
Plantados em solo duvidoso
Ao sol fugidio como teus pés
E a noite vem, a madrugada avança
Com o mesmo entusiasmo que sinto
De pisar em terra estranha
O cansaço do corpo se espalha
E eu às voltas de regar teu ego
Tem uma coisa dentro de mim que continua acordada enquanto eu durmo
terça-feira, 15 de junho de 2010
Eu tenho pensado no inferno
Eu tenho escrito as falas de uma peça
Mas quando olho nos teus olhos
Não há versos nem falas
E os demônios são outros
Dante não fez referência nenhuma aos teus olhos
Não queimou em tua cama
Nem bebeu comigo em copo sujo no fim da noite
Pra saber o que é arder...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Fiz as malas às pressas
Trouxe o básico pra sobreviver três dias
Entregue aos teus cuidados
Vasculho o frigobar do ônibus
Não há água
Mas é distribuído jornal e tem wireless
Essas pessoas têm sede de quê?
Não trouxe note nem bloco
E a poesia me vem quando estou despreparada
E a sede, quando não há água
Vou a um encontro despida
Sem levar nem uns versos comigo
Voltarei com sede de quê?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ou como desvelou meu desejo
Só quero que chegues manso como abalo sísmico
E provoque o medo que anseio
Sou quem espera pelo incerto
E precisa da sede que não sacia-se
Sou quem clama pelo desespero
E sussurra um nome no escuro
Como corpos de amantes quando tomados de assalto
Como a morte noticiada por espirais
Sei que farás morada sem que eu perceba
E espero que seja rápido e indolor
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Textos de Giane Luccas (eu,eu,eu!!! Quanta honra...), Julia Schnorr e Atílio Alencar (dois blogs que não perco de vista nunca!), Flora Sussekind, Tennessee Williams, entre outros.
DIREÇÃO: Pablo Canalles. ELENCO: Espetáculo de formatura das atrizes Bárbara Germani, Elise Schenkel, Juliana Bassaco, Marcele do Nascimento e Paula Ludwig.
data:
27/11/09
hora:
20:30
onde:
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009

Eu quero beijar árvores
Lamber pedras
Comer terra e vento
Em cada copo um gole
Em cada corpo uma mordida
Qualquer coisa que retire
O gosto doce do teu beijo
Quero ver cruamente o pôr-do-sol
Até que da memória se apague
O dourado dos teus pêlos
Não quero rimas ou poesias
Nem canções que me lembrem
O ritmo dos teus abraços
Não quero a beleza
Nem quero arte
Não quero riso
Até que minha boca resseque
Não quero qualquer sonho possível
Que de todos fazes parte
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
tudo da beleza das cores
tudo sobre a luz dos teus olhos excusos
a poesia não fala...
tudo sobre nudez
a poesia não fala...
tudo sobre o barulho
...a poesia ainda não conhece
a poesia não fala...
tudo sobre a densidade e o transbordamento
tudo do tumulto
a poesia não fala...
tudo sobre o som
tudo sobre o que acontece c
a poesia não fala...
da contração daquele músculo
não fala...
tudo de nós
não exala...
tudo de nós
não traduz...
tudo de nós (melhor assim)
mas a poesia não cala...
sábado, 22 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
O BASTANTE PRO DESASSOSEGO
MUDEI DE IDÉIA, DE INTENÇÃO
QUIS SETE MINUTOS
O BASTANTE PRA TE AMAR
ESQUECER TUDO MAIS, PERDER A RAZÃO
EM SETE MINUTOS
VI A VIDA SEM COMPLEXIDADE
MUDEI MEU RUMO, MINHA SORTE
MEU CORAÇÃO...
SETE MINUTOS ETERNIDADE,
REPOUSEI EM TEU PEITO
EMUDECI
MAIS SETE MINUTOS
E TUDO ESVANECEU
SÃO SETE HORAS DA MANHÃ
E VOCÊ NÃO ESTÁ AQUI...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Tive preguiça de responder, mas por fim, interiormente rendeu uma reflexão sobre mim, como sempre:
Resposta a uma amiga
Quer mesmo saber minha opinião sobre isso?
Preste atenção (principalmente nas pausas),
porque só sei falar por metáfora ou subjetivamente
e não vou explicar...
Um copo pela metade
pode estar meio cheio
ou meio vazio
depende de cada um...depende de quem vê!
Mas para mim, não importa
onde há só uma metade, há UM vazio
meio,
metade,
mezzo,
morno...
nunca me bastaram
sempre preferi pagar pra ver, compreende?
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Do Realismo:
de 13 de Julho de 2009 a 30 de Agosto de 2009 o Museu de Arte do Rio Grande do Sul historicamente exibe a exposição Arte na França 1860 - 1960: O Realismo
“O foco da exposição está no período em que o realismo se afirma na arte francesa e passa a influenciar o panorama cultural internacional, até o momento em que a arte feita nos EUA ascendeu ao primeiro posto. E traz obras de artistas franceses e estrangeiros que produziram na França ou que por lá passaram, como Dali, Vieira da Silva e Miró. Estão incluídos trabalhos dos diversos movimentos e escolas, abordados sob a perspectiva do Realismo - seus pontos de partida, suas versões e propostas.”(Fonte: www.margs.rs.gov.br)
Entrada: Ingresso solidário, doação de 1kg de alimento - eis o mote de minha crônica:
A realidade:
Uma longa fila se formou em frente ao MARGS. A demora de 35 minutos para entrar me deu a oportunidade de observar a curiosa mistura de público que -creio eu- o ingresso solidário proporcionou.
À minha frente um velhinha segurava com orgulho a sacola com sua contribuição numa das mãos, na outra, sua neta de no máximo 6 anos. A senhora observava os banners da fachada como uma criança que aguarda na fila de um parque.
Atrás de mim, um casal de namorados acompanhados da amiga de um deles. Tentando impressionar, o rapaz bancava o marchand para as duas enquanto me torturava com as mais absurdas e desencontradas combinações de informações a respeito da arte. A respeito dos pintores. A respeito das obras ali expostas. A respeito de tudo!
Depois deles, uma senhora com sua mãe e seus 3 filhos. Desde a vestimenta ao palavreado, tudo era polido. Tomava de seus filhos a lição que dera em casa sobre Realismo antes de ir à exposição. Comentava sobre o brasão da Independência no umbral do museu e indagava provocativa qual dos filhos saberia responder por que haviam ramos de café nele. A mãe dela, certamente matriarca soberana na família, contemplava sua própria criação.
À margem da fila, um menino lê mangá sentado num dos bancos da praça. Minutos depois, à volta dele, corre a menina polida atrás de pássaros pousados e junta-se a ela a neta da humilde senhora à minha frente. O menino move-se apenas quando tem que virar as páginas.
Já dentro do museu, o tempo parou. Não havia tempo, som ou pessoas até o mágico momento em que me dei por conta da realidade: diante de mim, uma obra ainda exalava o calor das mãos sobre o pincel, atravessara os séculos e resistira as intempéries –a obra e eu- para que houvesse este encontro. Numa extraordinária combinação de fatores e de destinos, estávamos ali, a obra e eu. E eu chorei.
À minha volta, espalhados pelas galerias, revia as figuras da fila.
O rapaz com sua cultura de almanaque sobre o Realismo –não que a minha vá além disso- tenta encaixar suas opiniões.
Não acho que ele tenha sido capaz de concluir o que a humilde velhinha concluiu:
Mão no queixo e cotovelo na barriga, a velhinha comenta “cousa mais linda né minha filha? Viu que dali pra cá o traço muda?”.
A família polida observa e vaga silenciosa e separada entre as galerias.
E um menino caminha lento, seguindo de longe o seu pai, enquanto lê mangá...
domingo, 2 de agosto de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009

sábado, 23 de maio de 2009
Definitivamente, eu sou a melhor mãe do mundo!
Eu justifico o porquê: apesar de não ter nascido pra isso, eu me supero!
Inventei de levar meu filho ao Jóquei Clube de Santa Maria, onde supostamente pousariam os balões participantes te um Evento Internacional de balonismo.
O stress começa num Engarrafamento Internacional na Venâncio Aires, de carona com uma amiga que narrava entusiasmada como tinha se saído bem numa pista de cart na tarde anterior e de como depois disso arrancou o espelho de uma moto; narrava enquanto se retocava no retrovisor.
“Jonas, não ponha a cabeça para fora. E você, olhe para frente.”
Falei isso alternadamente, inúmeras vezes, até chegarmos.
Pois bem, chegamos lá e estavam exibindo aeromodelos e suas acrobacias aéreas. “Puxa que legal!”
O mateadores começaram a falar entusiasmados como deve ser legal ter um... os marmanjos, porque o Jonas estava puxando um cavalo pela corda. Sim, ele já tinha passado uma cerca e estava tapado de terra, vermelha! Ele limpou o suor do rosto com as mesmas mãos. Ele comeu algodão doce. Céus...
Os comentários positivos sobre os aviõezinhos foram se esgotando, até que se tornaram reclamações e por fim, secretos desejos de manobras desastradas, só pra animar o evento.
Até que, finalmente, aponta um balão no céu! Quanta alegria! O Jonas já não me dava mais ouvidos e seguia perseguindo um novo amigo com torrões de terra.
Horas intermináveis até que todos os outros dez balões salpicassem o quadro da cidade. Chegaram a despertar a esperança nos pobres espectadores ao se aproximar, mas ganharam altitude e distância, até que sumiram.
Acredito que quem mais se decepcionou, entre todos da multidão, foi o narrador. Quando um balão em forma de bolo (surreal) surgiu por detrás dos eucaliptos esse cara se emocionou e começou a organizar aos gritos uma grande recepção, fazendo alusão ao aniversário da cidade e encorajando o pessoal a cantar parabéns quando ele pousasse. Eu queria ter visto ele pousando...
Foto de Júlia
Como eu ia dizendo, ganharam altitude e distância.
Mesmo assim, não se dando por vencido, fez uma contagem regressiva e cantou, quase sozinho, os parabéns... enquanto o bolo sumia no horizonte...
Somente um balão marqueteiro pousou.
Bom, não dá para reclamar, afinal ainda se tinha a opção de se dar uma volta de balão, por uma bagatela de 250 reais.
E o Jonas, ao chegar em casa me pergunta:
-A gente pode comprar um desses mãe?
-Não filho, não viu que não cabe no nosso pátio?
(faz sinal de que não viu direito, estava ocupado se encardindo...)
- Entra pro banho moleque!
sábado, 25 de abril de 2009
Mas ao te ver morro cada segundo
E quero um segundo mais
Tenho fome de você.
Temo-te como aquela que não se sabe
Inquieta-me o silêncio que te invade
Tenho ânsia de você.
Fecho-me quando teu olhar me abre
Amo-te se me olhas cheque-mate
Tenho falta de você
Desejo-te com teus beijos, tuas dores
Ainda que não te tenha só pra mim
Eu quero apenas o que fores!
E não te quero só a mim;
merecem todos tua boca,
merecem todos teu cabelo,
teu gosto
Como se a natureza se orgulhasse
de ter te feito inevitável
E eu não sou tão prepotente assim...
sábado, 11 de abril de 2009
Me pus a escrever o que te ferisse
E nada e nenhum termo bastava
-nem bastarão
Para que a mesma dor que senti
Você sentisse
Relia com frieza
O gume de cada linha
Mas era sempre preciso mais paixão
Revirei o arsenal que tinha
Mas tudo me escapava das mãos
Maldita contradição que macula
Minhas bélicas palavras e rancor
Que mesmo para falar de ódio
terça-feira, 3 de março de 2009
Mas quer ter alguém
Ela iria até o fim do mundo
Mas quer ir além
Seus pés eternamente indo
Me pedindo pra ficar
Meus olhos cansados
À procura de versos
Que tatuem suas costas
Brilham com sua aparição
E se procuro por respostas
Vejo que minha sorte passa
Pelas linhas de sua mão
E ela corre, corre atrás de seus desejos
Mas à noite, no silêncio de sua cama,
É o desejo quem a alcança no colchão
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Para enumerar o que te faz tão cara
Quais já te cansaram a repetição
Quantos gestos em outras mãos
Te gastaram aquela sensação tão rara
E palavras vão sendo postas de lado
Não há meio-termos para você
Os verbos se acumulam nos cantos que ainda não ocupamos
E você não os varre para em segredo se envaidecer
E você me pede mais
Me pede por mais
E por mais neologismos que eu crie
Não tenho para onde correr
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Quanto tempo mais teus olhos
Escorrerão dos meus até a boca
E a tua se abrirá em sorriso
E os meus desviarão fugindo
Me trazes teus tormentos íntimos
E toma toda minha atenção
Me mostra teus olhos úmidos
Eu te estendo apenas minhas mãos
Quanto tempo mais te verei passar
Com vento nos cabelos
E corrente nos pés
Sol no corpo que não toco
Sombra nos olhos que entregam
O porto e solidão que és
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Ontem peguei o celular e ameacei duas vezes te ligar.Era meio-dia e eu estava com minhas asas de arrasto...
Agora são cinco da manhã e acabo de chegar.
A mulher mais linda que já pude ter
Hoje me tirou para dançar.
Me convidou pra sair.
Me puxou pra beijar.
Eu não quis.
Ou não quis acreditar...
Vou jogar fora estas minhas asas
Que não voam quando podem voar
segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Do corpo
Sem mãos que trabalhem o solo da pele
De sexo ressequido
De instrumentos que forjem algum orgasmo
É tempo de acidez
Que corroa enfim teus vestígios na memória
De um tempo que não se desfez
É preciso que esse tempo dure
O suficiente pra esgotar
Qualquer fertilidade tua em mim
E quando enfim for um deserto
Por onde se refugiam os desenganados
Uma borboleta desavisada
Num leve sobrevôo desajeitado
Provocará em meu deserto
Um tão desejado e doce tornado
domingo, 9 de novembro de 2008
Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito.
(Viviane Mosé -
Poemas do livro Pensamento do Chão, poemas em prosa e verso. Reproduzidos sob autorização da autora.)
sábado, 1 de novembro de 2008
Zoo
Amigos mais próximos puderam acompanhar minha correria nos últimos dez dias no papel de mãe solteira. Sábado eu cheguei ao limite, acompanhando o Jonas numa excursão de colégio ao zoológico de Sapucaia.
Imagine uma excursão de umas 50 crianças no melhor estilo de “A fantástica fábrica de chocolate”, acompanhadas de suas mães blasès e seu pais... enfim!
Logo de cara um menina salta do nada me perguntando -com toda ingenuidade e tirania que só uma criança consegue ter- se eu pintava meu cabelo. Enquanto o veneno escorria do canto de boca sorridente das tricoteiras, eu respondi: “Sim!!! E, a su-a-mã-e-tam-bém!!!”
O dia ali começou e se estendeu, o sol se estendeu, estendeu o mormaço... Cheguei à maldade de desejar que alguns dos animais ali expostos já tivessem entrado algum dia em extinção, me poupando tanta andança.
Caminhei intermináveis e quase ininterruptas 5h entre jaulas, com pausa apenas pro almoço (pequena pausa, diga-se de passagem). Ao menos eu tava acompanhada do carinha mais legal que conheço, que fazia eu me envergonhar frente ao meu cansaço, visto que ele percorria o triplo, indo até a jaula, voltando pra me anunciar a próxima atração e retornando à mesma pacientemente pra me acompanhar.
Quando finalmente pedi misericórdia à sombra de uma árvore num parquinho, sentei com meus cigarros, arranquei o tênis e fiquei ali, me sentindo tão humana. Foi quando me comovi com três pequenas histórias que aconteceram ao meu redor:
Primeira história:
Três meninas de uns oito anos arrancavam grama enquanto conversavam. Uma delas, empolgada com a função, chegou a sugerir às outras de cobrarem uma pequena taxa do zoológico pelo serviço que acabavam de prestar.
Felizes com a porção de grama que haviam juntado, resolveram jogar tudo o que amontoaram pro alto. Para a surpresa delas, a grama não se dispersou no ar e caiu acertando em cheio apenas uma. Logicamente foi a mais vaidosa delas, a de cabelos longos, volumosos e muito bem escovados, que ficaram cravejados de verde. Ela então deu um grito:
- Meu cabeeeeloooo... Meu cabelo é tudo pra mim! É o que mais amo em mim!
É o que mais amo no mundo! Eu amo mais que... Eu amo mais...mais que ao meu pai!!!
A outra:
- Ai credo, não diz isso que é pecado!
E a terceira:
- Eu queria ter conhecido meu pai...poderiam raspar meus cabelos, se em troca eu pudesse conhecê-lo.
As outras, respeitosamente, seguiram arrancando ervas daninhas...
E ela reiterou, com um sorrisão cheio de orgulho:
- Pelo menos eu sei que ele é jogador de futebol!
Eu, de óculos escuros, chorava por tudo...
Fim.
Segunda história:
Um casal, abraçado. Chegam a um banco com terra encrustrada. Ela olhou desanimada, de cansaço e calor. O cara de chinelo e camiseta do time no ombro, aproveita animado a oportunidade de demonstrar carinho, estendendo a camiseta no banco pra ela sentar. Ela toda derretida elogia e agradece. Ele então fala pra namorada:
-Acho bom que reconheça, você sabe o que essa camiseta representa pra mim!
(...ou: “Nessa vida eu só torço pra você e pro grêmio”)
Fim.
Terceira história:
Um grupo de mulheres, evangélicas, com suas cestas de lanches, seus crochês e etc., sentadas em círculo numa sombra.
Uma delas pediu um celular emprestado e se afastou do grupo. Andava de cabeça baixa, auscultava o aparelho enquanto caminhava de um lado paro o outro, olhos atentos a cada toque que se repetia.
Na roda, como eu, as mulheres a observam. Uma delas suspirando comenta:
- Coitada da ‘fulana’, ela morre de saudades...
Fim.
Eu, atrás dos meus óculos, pensava: “Coitada de mim...”
Fim.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Você afirmava que elas eram
Ainda melhores dentro de você
Mas optava por esquecer
Mostrou a linha frágil entre amor e ódio
Nos deitamos sobre ela
Aumentou o risco da queda
Elevou à altura vertiginosa
Dos orgasmos que tivemos
Disse não querer mais sentir
E me jogou pro lado de lá...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
O pôr-do-sol invadiu meu bom sensoE quem precisa de bom senso agora?
Se tudo esvaeceu depois que partiu
Não sei onde ou quando comecei a te amar
Talvez tivesse te sonhado ainda na infância
Perdi-me ao te materializar em uma visão
E teu sorriso corrompeu meu juízo
Ah, era tudo que eu precisava...
Mas agora tuas mãos somem na neblina
E eu não sei se verei mais a tua cor
Conversa que não terminamos
Me desmancho tocando a chuva fina
Besta normalidade que me assusta
Triste pôr-do-sol que me avisa que amanhã
Meus dias voltarão a ser normais
terça-feira, 14 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
"O meu amor é um anjo de pedra com uma asa quebrada" - Caio F. Abreu

Eu matava sua sede
Recompunha teu sorriso
E recolhia teus restos no colchão
Grão a grão
O tempo escorria impiedoso
Revirava nosso ninho
Escondia o resto no porão
Lágrima por lágrima
Eu lavava o teu colo
E esculpia nele meu refúgio
Mas sempre restava solidão
Litros! aos litros o amor se esvaía
Eu te cobria com meu pranto
Despejava toda a culpa
Sobre tua negação
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
E saudades antecipadas pelo instante seguinte
de cada despedida
é tão forte o que eu sinto
que parece que o ultimo beijo
será pra sempre o ultimo
fico lembrando aquele meio-beijo, ao lado do táxi
atrasando por um dia o carinho mais a sós
Não seria justo conosco que aquele fosse o último
Grandes romances podem ter um fim assim estúpido?
Eu temo que um beijo traiçoeiro
te tome o fôlego para voltar
Eu tenho medo que um instante derradeiro
chegue sem hora marcada, entre o hoje e o amanhã
ceifando o que plantei nos espaços entre nós
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008

Guardiã das noites que não tivemos
Para onde puxarás as rédeas do meu desejo
Da minha língua que quer invadir
O sal de cada poro teu
Onde me sinto sem castidade
Onde livre sou fiel
Eu, exausto morro em teus braços
Como o verão no abraço do outono
Eu, sem dono...
Andaremos de mãos dadas por aí?
Eu, se cativo, já não vivo!
Morrerei sem ter tido
O gosto de ter pertencido a ti?
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Dia pós dia
Bar após bar
Um pé depois do outro
De boca em boca
Borrando teus vestígios sob minha pele
Luzes rastreiam os cantos em que me refugio
E corro os olhos de cruzarem nova paixão
Sugando em cada cigarro a inspiração
Antes vinda de teus sons
E tanta gente passa por mim
Levando a pele de minhas costas
sob as unhas
Números que preenchem algum vazio na agenda
E nenhuma opção há
No sobressalto banhada de suor
entre um pesadelo e outro
Talvez melhor fosse
Abandonar-me na loucura
Que me teve por filha a vida inteira
E parar de negar a natureza que me fez
Sozinha no mundo
Tenho buscado mansidão...
Onde vasculhar o que me faça te odiar
Pra não tirar os pés do chão?
sábado, 13 de setembro de 2008
Eu tinha um peixe; assim, no passado. Porque o beta vermelho, peixe de uns cinco centímetros e cauda vistosa, morreu. É curioso como usamos o pretérito quando nos referimos aos mortos (tão curioso quanto a tendência automática em santificá-los). Mesmo correndo o risco de soar romântico demais, afirmo que nestes casos sempre preferi o presente. Acredito que a existência não se finda com a morte; em verdade, acho que o existir depende muito pouco do estar vivo. Quase nada.
Eis como a existência revela-se imaterial, subjetiva e relativa a cada um de nós: é só a partir destas linhas, por exemplo, que o meu peixe existe para você. Antes, era apenas mais um objeto incógnito do meu quarto; não existia, em absoluto, no seu mundo relativo.
Krill é vermelho-tango, de reluzentes e pomposas escamas. Apesar do aviso sincero da vendedora, de que “o peixe duraria no máximo um ano e meio”, Krill não deu ouvidos à estatística; nadou e comeu por longos dois anos e oito meses. Durante todo esse tempo, viu-me rir, chorar, cantar e dormir. Viu inclusive o que não devia, para ser sincera.
Krill costumava reagir de forma agressiva quando estranhos o encaravam por muito tempo. Abria as guelras e investia com força contra a parede do aquário, para depois nadar irritado, em voltas, como que frustrado com as próprias limitações que a vida de peixe impõe. Krill queria mais; queria ser o dono do lugar, o guardião onipresente daquele mundo distorcido pelas deflexões da água. E ele fez questão de deixar isso claro desde o começo da nossa telepática relação – vi-me obrigada a comprar um aquário maior para acabar de vez com os deliberados empurrões contra a tampa anterior. Em outras palavras, aquários de peixe beta não combinavam com o Krill. Em suma, ele nunca foi um beta qualquer – por mais parcial que seja tal afirmação.
Krill morreu com a cabeça pousada na pedra que mais gostava; não boiou. Encontrei-o deitado, olhando em direção à minha cama. Talvez me observava dormir (como ele sempre fazia) pela última vez. Talvez tenha morrido revoltado com o resultado das eleições. Ou talvez tenha enfim percebido que nenhum peixe beta sobrevive tanto tempo. Sei apenas que, enquanto embalava-o em papel alumínio (para depois jogá-lo ao lixo, o cemitério dos pequenos seres urbanos), vi-me constrangida por não sentir nada além de um patético carinho. Não exagero a ponto de achar que Krill merecia um enterro nobre ou luto por sua memória; mas quedei-me com a impressão de que ele merecia uma lágrima, ao menos. “Quem lacrimeja ao ver comercial televisivo pode muito bem derramar uma lágrima em memória de um finado querido”, pensei.
Nessas horas, porém, sempre fui incapaz de chorar.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O sol invade a vidraça
E eu me abraço forte
E as horas transbordam da planilha
-ninguém disse que a vida é fácil –
Quando chega a tarde, o ônibus passa
Tremem as fundações, a mesa, a massa;
E eu sinto que é tudo muito frágil.
Atravesso a catraca, a calçada, o aço
Enquanto falo sozinha na rua,
Poucos percebem
que meus olhos choram teus pedaços
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Soprou como vento norte
E os olhos arrastaram
As folhas que cobriam
A intenção
Um suspiro
Aliviou os cortes
Quando as mãos afastaram
Os segredos
e o possível não
Movimentos de cabelos
Palavras que remontam certa noite
Olhos que pedem perdão
Corpo que não pede respostas
Uma mulher me pediu
Pra ser minha inspiração
sábado, 30 de agosto de 2008
Teu riso dentro do beijo
Um abraço nos teus cabelos
No coração uma flor se abriu por instinto
No teu sexo uma concha
À pérola rara parindo
Tua pele uma lâmina
Que revela a minha até a alma
Num frisson de gelar os dentes
Entre dedos e pêlos que maneiam
Busco teu grito nos teus seios
Que há muito nossos corpos anseiam
Inutilmente em tantos porquês
Uma pausa
Um suspiro
Um abraço
E mansamente o dia nasce outra vez
quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A dúvida é minha
A culpa é tua
Leva a linha tênue que
Nos mantinha
Fico com meus botões
Até a cama ficou nua
Das cobertas que tinha
E das tuas canções
Abra a porta por mim fechada
Toma a taça que te dei
Revide o tapa em película gravado
Rasgue as cartas que marquei
Revire e cate teus poemas
O que importava eu queimei
Deixe-me qualquer um, tanto faz
Vai com teus livros e beijos
Pegue o que for teu – eu
E devolva a minha paz
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Agora que tens um segundo plano
Surgiu um terceiro
Que leu a poesia que era pra ti
Abriu o vinho para mim
Sorriu e começou a me despir
Agora que voltas com ombros caídos
Me pedindo colo, me pedindo abrigo
Alguma luz se apagou
A agulha no disco pulou
Alguém me puxou pela mão
Alguém no meu ouvido falou
Agora que te sentes livre
Eu já não sei se quero ir
Alguém me fez sentir
O sabores de perfumes
E as cores que eles têm
Me tornei amante do mundo
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Estrela que me chama a atençãoDentre todas as outras, és mais, és paixão
Me persegues, instigante
Pedes por tudo que sou capaz
Representas as noites que trago na alma
Minha sede de luz e calma
És presença intrigante
De esperança e paz
Em toda parte me acompanha, vai além
E me pergunto que sentido tem
Quando sento os pés no chão
Por que brilha ainda
Se esta noite finda
quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Quando a distância é medida em tempo
Quando o sexo é obra de arte
Quando meio sorriso é comprimento
Quando o sonho faz suar
Quando a lembrança transporta
Quando o silêncio sufoca
Quando a ausência é pesar
Quando outra opção não importa
Quando tudo que é tanto mais
Vira qualquer coisa assim
Quando não-sei-mas-não-me-deixe-em-paz
Quando o que eu tento matar




