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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Beijos no meio do caos

 E se, desta vez, não houvesse pretextos?

Se chegasse sem um vinho na mão 

Se eu não mandasse flores

Se tu não trouxesse um violão 

Se  só houvesse o desejo?

O que entregaria?


Se desta vez não portasse um livro

Não marcasse uma janta

Se a lenha acabasse, se a música parasse 

E só houvesse nossos beijos?

Você acenderia?


Se não existisse nem política, nem polícia, nem  o capital, nem a família ou as tradições 

Nem Freud, nem OAB

E se faltasse assunto

E se faltassem palavras

E se só houvessem nossos olhos?

Você desviaria?


Nem relógio para controlar

Nem amigas para nós vigiar

Nem viagens, nem a moda, 

para nos distrair

Nem a IA, nem a pia para desentupir,

nem o cataclisma para nos preocupar

Só nossos pêlos, cabelos , peles e corpos para explorar?


E se 

Antes de pensar em quem vai fugir pra Marte

Olhando do espaço a Terra queimar

A gente pensasse em outra maneira 

Mais pagã, egoísta e íntima 

Da gente se salvar?

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