Quem sou eu



Eu sou aquela que colhe
O invisível nas coisas
O indizível dos gestos
E sai a garimpar palavras
Pra contar depois
Toda vida em poesia

* Giane Luccas
* Local: Santa Maria - RS - Brasil



Sou voyeur...de pessoas que pensam:

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[quinta-feira, 10 de dezembro de 2009]





Não quero supor quem sejas
Ou como desvelou meu desejo
Só quero que chegues manso como abalo sísmico
E provoque o medo que anseio

Sou quem espera pelo incerto
E precisa da sede que não sacia-se
Sou quem clama pelo desespero
E sussurra um nome no escuro



Sei que surgirás na hora em que eu menos esperar
Como corpos de amantes quando tomados de assalto
Como a morte noticiada por espirais

Sei que farás morada sem que eu perceba
E espero que seja rápido e indolor
Para que quando eu desperte seja tarde demais

.: Post por Giane Luccas
16:40:00

[terça-feira, 1 de dezembro de 2009]





Quero um dia te acordar mesmo que à distância

Te fazer perder o sono com a lembrança

E te fazer sorrir

Que de tanto prazer

Não queiras mais dormir

E desperte para dentro do meu sonho


.: Post por Giane Luccas
01:29:00

[quarta-feira, 18 de novembro de 2009]



"Dizem que quando a gente morre, a vida inteira passa diante dos olhos, como num flashback."


TEXTO: Dramaturgia criada a partir de blogs, textos, conversas e devaneios.

Textos de Giane Luccas (eu,eu,eu!!! Quanta honra...), Julia Schnorr e Atílio Alencar (dois blogs que não perco de vista nunca!), Flora Sussekind, Tennessee Williams, entre outros.

DIREÇÃO: Pablo Canalles. ELENCO: Espetáculo de formatura das atrizes Bárbara Germani, Elise Schenkel, Juliana Bassaco, Marcele do Nascimento e Paula Ludwig.


data:
27/11/09

hora:
20:30

onde:
Teatro Caixa Preta - Campus UFSM



.: Post por Giane Luccas
01:43:00

[quinta-feira, 12 de novembro de 2009]




...E a mão, pássaro que é, beija-flor-da-pele...

.: Post por Giane Luccas
03:11:00

[sábado, 7 de novembro de 2009]







Eu quero beijar árvores
Lamber pedras
Comer terra e vento
Em cada copo um gole
Em cada corpo uma mordida
Qualquer coisa que retire
O gosto doce do teu beijo

Quero ver cruamente o pôr-do-sol
Até que da memória se apague
O dourado dos teus pêlos
Não quero rimas ou poesias
Nem canções que me lembrem
O ritmo dos teus abraços

Não quero a beleza
Nem quero arte
Não quero riso
Até que minha boca resseque
Não quero qualquer sonho possível
Que de todos fazes parte

.: Post por Giane Luccas
01:40:00

[sexta-feira, 30 de outubro de 2009]


a poesia não fala...
tudo da beleza das cores
que trazes contigo
a poesia não fala...
tudo sobre a luz dos teus olhos excusos
a poesia não fala...
tudo sobre nudez
dos teus sentimentos tamanho mundo
a poesia não fala...
tudo sobre o barulho
do meu mergulho em teu corpo

...a poesia ainda não conhece
e por isso não fala...
tudo sobre o gosto agri-doce
da tua pele...
a poesia não fala...
tudo sobre a densidade e o transbordamento
de tuas entranhas
a poesia não fala...
tudo do tumulto
dos nossos corpos enredados
a poesia não fala...
tudo sobre o som
do meu gemido rouco
e abafado
a poesia não fala...
tudo sobre o que acontece c
om teu seio em meio a confusão
de nossas bocas
a poesia não fala...
da contração daquele músculo
e se falasse
não falaria tudo...
a poesia...
não fala...
tudo de nós
não exala...
tudo de nós
não traduz...
tudo de nós (melhor assim)

mas a poesia não cala...

.: Post por Giane Luccas
16:33:00

[sábado, 22 de agosto de 2009]


Quis Deus, a sorte, o destino ou o acaso

Que eu te olhasse naquele instante exato

Em que um raio de sol bateu num ângulo perfeito

E que você sorrisse naquele momento

Eu não empunhava espada ou escudo

Eu não montava vigia ao meu peito

E você arrebentou a tranca

E invadiu minha escuridão com teu espectro

Sem me perguntar se eu queria ser o teu eleito


.: Post por Giane Luccas
09:05:00

[sábado, 15 de agosto de 2009]


SETE MINUTOS
O BASTANTE PRO DESASSOSEGO
MUDEI DE IDÉIA, DE INTENÇÃO

QUIS SETE MINUTOS
O BASTANTE PRA TE AMAR
ESQUECER TUDO MAIS, PERDER A RAZÃO

EM SETE MINUTOS
VI A VIDA SEM COMPLEXIDADE
MUDEI MEU RUMO, MINHA SORTE
MEU CORAÇÃO...

SETE MINUTOS ETERNIDADE,
REPOUSEI EM TEU PEITO
EMUDECI
MAIS SETE MINUTOS
E TUDO ESVANECEU

SÃO SETE HORAS DA MANHÃ
E VOCÊ NÃO ESTÁ AQUI...

.: Post por Giane Luccas
17:01:00

[quarta-feira, 12 de agosto de 2009]


Uma amiga me pergunta o que eu faria se começasse a ver com outros olhos um amigo a quem sempre vi como irmão, embora soubesse que o sentimento dele sempre foi outro.

Tive preguiça de responder, mas por fim, interiormente rendeu uma reflexão sobre mim, como sempre:


Resposta a uma amiga

Quer mesmo saber minha opinião sobre isso?
Preste atenção (principalmente nas pausas),
porque só sei falar por metáfora ou subjetivamente
e não vou explicar...

Um copo pela metade
pode estar meio cheio
ou meio vazio
depende de cada um...depende de quem vê!
Mas para mim, não importa
onde há só uma metade, há UM vazio

meio,
metade,
mezzo,
morno...
nunca me bastaram

sempre preferi pagar pra ver, compreende?

.: Post por Giane Luccas
03:03:00

[quarta-feira, 5 de agosto de 2009]


Do Realismo:

de 13 de Julho de 2009 a 30 de Agosto de 2009 o Museu de Arte do Rio Grande do Sul historicamente exibe a exposição Arte na França 1860 - 1960: O Realismo

“O foco da exposição está no período em que o realismo se afirma na arte francesa e passa a influenciar o panorama cultural internacional, até o momento em que a arte feita nos EUA ascendeu ao primeiro posto. E traz obras de artistas franceses e estrangeiros que produziram na França ou que por lá passaram, como Dali, Vieira da Silva e Miró. Estão incluídos trabalhos dos diversos movimentos e escolas, abordados sob a perspectiva do Realismo - seus pontos de partida, suas versões e propostas.”(Fonte: www.margs.rs.gov.br)

Entrada: Ingresso solidário, doação de 1kg de alimento - eis o mote de minha crônica:

A realidade:

Uma longa fila se formou em frente ao MARGS. A demora de 35 minutos para entrar me deu a oportunidade de observar a curiosa mistura de público que -creio eu- o ingresso solidário proporcionou.

À minha frente um velhinha segurava com orgulho a sacola com sua contribuição numa das mãos, na outra, sua neta de no máximo 6 anos. A senhora observava os banners da fachada como uma criança que aguarda na fila de um parque.

Atrás de mim, um casal de namorados acompanhados da amiga de um deles. Tentando impressionar, o rapaz bancava o marchand para as duas enquanto me torturava com as mais absurdas e desencontradas combinações de informações a respeito da arte. A respeito dos pintores. A respeito das obras ali expostas. A respeito de tudo!

Depois deles, uma senhora com sua mãe e seus 3 filhos. Desde a vestimenta ao palavreado, tudo era polido. Tomava de seus filhos a lição que dera em casa sobre Realismo antes de ir à exposição. Comentava sobre o brasão da Independência no umbral do museu e indagava provocativa qual dos filhos saberia responder por que haviam ramos de café nele. A mãe dela, certamente matriarca soberana na família, contemplava sua própria criação.

À margem da fila, um menino lê mangá sentado num dos bancos da praça. Minutos depois, à volta dele, corre a menina polida atrás de pássaros pousados e junta-se a ela a neta da humilde senhora à minha frente. O menino move-se apenas quando tem que virar as páginas.

Já dentro do museu, o tempo parou. Não havia tempo, som ou pessoas até o mágico momento em que me dei por conta da realidade: diante de mim, uma obra ainda exalava o calor das mãos sobre o pincel, atravessara os séculos e resistira as intempéries –a obra e eu- para que houvesse este encontro. Numa extraordinária combinação de fatores e de destinos, estávamos ali, a obra e eu. E eu chorei.

À minha volta, espalhados pelas galerias, revia as figuras da fila.

O rapaz com sua cultura de almanaque sobre o Realismo –não que a minha vá além disso- tenta encaixar suas opiniões.

Não acho que ele tenha sido capaz de concluir o que a humilde velhinha concluiu:

Mão no queixo e cotovelo na barriga, a velhinha comenta “cousa mais linda né minha filha? Viu que dali pra cá o traço muda?”.

A família polida observa e vaga silenciosa e separada entre as galerias.

E um menino caminha lento, seguindo de longe o seu pai, enquanto lê mangá...


.: Post por Giane Luccas
05:07:00

[domingo, 2 de agosto de 2009]


Do Pop e da gripe

Hoje presenciei uma cena surreal no supermercado: uma mulher, de máscara, observa consternada um gordinho que percorre toda a extensão da prateleira de chocolates fazendo moonwalk.
Como fiz tal associação? Não, não tocava Michael Jackson nos autofalantes, seria óbvio demais...

.: Post por Giane Luccas
20:00:00

[quarta-feira, 22 de julho de 2009]



Uma mulher precisa ouvir o amor

Enquanto uiva noutro canto da cidade

Eu garimpo verbetes pra lhe encantar


Clama pelas palavras de um homem que a ama em silêncio

E eu aos litros escorro meu desejo

Nos seus ouvidos sem cessar


Cobre-se de ouro desde os cabelos e desfila na luz

Caçando o olhar daquele homem que só não é indiferente à sua nudez

Sem imaginar que é a mim que ela seduz

.: Post por Giane Luccas
00:40:00

[terça-feira, 16 de junho de 2009]





Eu hoje fiz uma canção
Começou tão distante
Tão errante
Que parecia tua

Mostrou outra melodia
Tão nova
Que se tornou tão nossa
Que te via nua

Sem compromisso
De saber como se tocar
Brotou dentro de mim
E desde então
passei a assobiar

.: Post por Giane Luccas
15:44:00

[sábado, 23 de maio de 2009]




Definitivamente, eu sou a melhor mãe do mundo!



Eu justifico o porquê: apesar de não ter nascido pra isso, eu me supero!



Inventei de levar meu filho ao Jóquei Clube de Santa Maria, onde supostamente pousariam os balões participantes te um Evento Internacional de balonismo.






O stress começa num Engarrafamento Internacional na Venâncio Aires, de carona com uma amiga que narrava entusiasmada como tinha se saído bem numa pista de cart na tarde anterior e de como depois disso arrancou o espelho de uma moto; narrava enquanto se retocava no retrovisor.



“Jonas, não ponha a cabeça para fora. E você, olhe para frente.”



Falei isso alternadamente, inúmeras vezes, até chegarmos.





Pois bem, chegamos lá e estavam exibindo aeromodelos e suas acrobacias aéreas. “Puxa que legal!”



O mateadores começaram a falar entusiasmados como deve ser legal ter um... os marmanjos, porque o Jonas estava puxando um cavalo pela corda. Sim, ele já tinha passado uma cerca e estava tapado de terra, vermelha! Ele limpou o suor do rosto com as mesmas mãos. Ele comeu algodão doce. Céus...





Os comentários positivos sobre os aviõezinhos foram se esgotando, até que se tornaram reclamações e por fim, secretos desejos de manobras desastradas, só pra animar o evento.



Até que, finalmente, aponta um balão no céu! Quanta alegria! O Jonas já não me dava mais ouvidos e seguia perseguindo um novo amigo com torrões de terra.



Horas intermináveis até que todos os outros dez balões salpicassem o quadro da cidade. Chegaram a despertar a esperança nos pobres espectadores ao se aproximar, mas ganharam altitude e distância, até que sumiram.





Acredito que quem mais se decepcionou, entre todos da multidão, foi o narrador. Quando um balão em forma de bolo (surreal) surgiu por detrás dos eucaliptos esse cara se emocionou e começou a organizar aos gritos uma grande recepção, fazendo alusão ao aniversário da cidade e encorajando o pessoal a cantar parabéns quando ele pousasse. Eu queria ter visto ele pousando...

Foto de Júlia


Como eu ia dizendo, ganharam altitude e distância.



Mesmo assim, não se dando por vencido, fez uma contagem regressiva e cantou, quase sozinho, os parabéns... enquanto o bolo sumia no horizonte...



Somente um balão marqueteiro pousou.





Bom, não dá para reclamar, afinal ainda se tinha a opção de se dar uma volta de balão, por uma bagatela de 250 reais.





E o Jonas, ao chegar em casa me pergunta:



-A gente pode comprar um desses mãe?



-Não filho, não viu que não cabe no nosso pátio?



(faz sinal de que não viu direito, estava ocupado se encardindo...)



- Entra pro banho moleque!


.: Post por Giane Luccas
20:05:00

[sábado, 25 de abril de 2009]


Quisera eu não ser vulnerável às tuas aparições
Mas ao te ver morro cada segundo
E quero um segundo mais
Tenho fome de você.
Temo-te como aquela que não se sabe
Inquieta-me o silêncio que te invade
Tenho ânsia de você.
Fecho-me quando teu olhar me abre
Amo-te se me olhas cheque-mate
Tenho falta de você
Desejo-te com teus beijos, tuas dores
Ainda que não te tenha só pra mim
Eu quero apenas o que fores!
E não te quero só a mim;
merecem todos tua boca,
merecem todos teu cabelo,
teu gosto
Como se a natureza se orgulhasse
de ter te feito inevitável
E eu não sou tão prepotente assim...

.: Post por Giane Luccas
04:22:00

[sábado, 11 de abril de 2009]


Com precisão e zelo
Me pus a escrever o que te ferisse
E nada e nenhum termo bastava
-nem bastarão
Para que a mesma dor que senti
Você sentisse

Relia com frieza
O gume de cada linha
Mas era sempre preciso mais paixão
Revirei o arsenal que tinha
Mas tudo me escapava das mãos

Maldita contradição que macula
Minhas bélicas palavras e rancor
Que mesmo para falar de ódio
Eu preciso de mais amor

.: Post por Giane Luccas
04:00:00

[terça-feira, 3 de março de 2009]



Ela já tem compromisso
Mas quer ter alguém
Ela iria até o fim do mundo
Mas quer ir além
Seus pés eternamente indo
Me pedindo pra ficar
Se soubesse que ela volta
Valeria a pena esperar
Meus olhos cansados
À procura de versos
Que tatuem suas costas
Brilham com sua aparição
E se procuro por respostas
Vejo que minha sorte passa
Pelas linhas de sua mão
E ela corre, corre atrás de seus desejos
Mas à noite, no silêncio de sua cama,
É o desejo quem a alcança no colchão

.: Post por Giane Luccas
14:30:00

[quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009]


Quais palavras ainda não foram despejadas sobre você
Para enumerar o que te faz tão cara
Quais já te cansaram a repetição
Quantos gestos em outras mãos
Te gastaram aquela sensação tão rara

E palavras vão sendo postas de lado
Não há meio-termos para você
Os verbos se acumulam nos cantos que ainda não ocupamos
E você não os varre para em segredo se envaidecer

E você me pede mais
Me pede por mais
E por mais neologismos que eu crie
Não tenho para onde correr

.: Post por Giane Luccas
22:34:00

[segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009]



“De qualquer jeito”

Quanto tempo mais teus olhos
Escorrerão dos meus até a boca
E a tua se abrirá em sorriso
E os meus desviarão fugindo

Me trazes teus tormentos íntimos
E toma toda minha atenção
Me mostra teus olhos úmidos
Eu te estendo apenas minhas mãos

Quanto tempo mais te verei passar
Com vento nos cabelos
E corrente nos pés

Sol no corpo que não toco
Sombra nos olhos que entregam
O porto e solidão que és

.: Post por Giane Luccas
01:10:00

[domingo, 8 de fevereiro de 2009]


Ontem peguei o celular e ameacei duas vezes te ligar.
Era meio-dia e eu estava com minhas asas de arrasto...
Agora são cinco da manhã e acabo de chegar.
A mulher mais linda que já pude ter
Hoje me tirou para dançar.
Me convidou pra sair.
Me puxou pra beijar.
Eu não quis.
Ou não quis acreditar...
Vou jogar fora estas minhas asas
Que não voam quando podem voar

.: Post por Giane Luccas
14:25:00

[segunda-feira, 10 de novembro de 2008]



Este é tempo de aridez
Do corpo
Sem mãos que trabalhem o solo da pele
De sexo ressequido
De instrumentos que forjem algum orgasmo
É tempo de acidez
Que corroa enfim teus vestígios na memória
De um tempo que não se desfez
É preciso que esse tempo dure
O suficiente pra esgotar
Qualquer fertilidade tua em mim
E quando enfim for um deserto
Por onde se refugiam os desenganados
Uma borboleta desavisada
Num leve sobrevôo desajeitado
Provocará em meu deserto
Um tão desejado e doce tornado

.: Post por Giane Luccas
15:14:00

[domingo, 9 de novembro de 2008]



Me disseram que solidão é sina e é pra sempre.


Confesso que gosto do espaço que é ser sozinho.


Essa extensão, largura, páramo, planura, planície, região.


No entanto, a soma das horas acorda sempre a lembrança


do hálito quente do outro. A voz, o viço.


Hoje andei como louca, quis gritar com a solidão,


expulsar de mim essa senhora ciumenta.


Madona sedenta de versos. Mas tive medo.


Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito.


(Viviane Mosé -








Poemas do livro Pensamento do Chão, poemas em prosa e verso. Reproduzidos sob autorização da autora.)



.: Post por Giane Luccas
12:58:00

[sábado, 1 de novembro de 2008]


Zoo

Amigos mais próximos puderam acompanhar minha correria nos últimos dez dias no papel de mãe solteira. Sábado eu cheguei ao limite, acompanhando o Jonas numa excursão de colégio ao zoológico de Sapucaia.


Imagine uma excursão de umas 50 crianças no melhor estilo de “A fantástica fábrica de chocolate”, acompanhadas de suas mães blasès e seu pais... enfim!


Logo de cara um menina salta do nada me perguntando -com toda ingenuidade e tirania que só uma criança consegue ter- se eu pintava meu cabelo. Enquanto o veneno escorria do canto de boca sorridente das tricoteiras, eu respondi: “Sim!!! E, a su-a-mã-e-tam-bém!!!”


O dia ali começou e se estendeu, o sol se estendeu, estendeu o mormaço... Cheguei à maldade de desejar que alguns dos animais ali expostos já tivessem entrado algum dia em extinção, me poupando tanta andança.


Caminhei intermináveis e quase ininterruptas 5h entre jaulas, com pausa apenas pro almoço (pequena pausa, diga-se de passagem). Ao menos eu tava acompanhada do carinha mais legal que conheço, que fazia eu me envergonhar frente ao meu cansaço, visto que ele percorria o triplo, indo até a jaula, voltando pra me anunciar a próxima atração e retornando à mesma pacientemente pra me acompanhar.


Quando finalmente pedi misericórdia à sombra de uma árvore num parquinho, sentei com meus cigarros, arranquei o tênis e fiquei ali, me sentindo tão humana. Foi quando me comovi com três pequenas histórias que aconteceram ao meu redor:

Primeira história:

Três meninas de uns oito anos arrancavam grama enquanto conversavam. Uma delas, empolgada com a função, chegou a sugerir às outras de cobrarem uma pequena taxa do zoológico pelo serviço que acabavam de prestar.

Felizes com a porção de grama que haviam juntado, resolveram jogar tudo o que amontoaram pro alto. Para a surpresa delas, a grama não se dispersou no ar e caiu acertando em cheio apenas uma. Logicamente foi a mais vaidosa delas, a de cabelos longos, volumosos e muito bem escovados, que ficaram cravejados de verde. Ela então deu um grito:

- Meu cabeeeeloooo... Meu cabelo é tudo pra mim! É o que mais amo em mim!
É o que mais amo no mundo! Eu amo mais que... Eu amo mais...mais que ao meu pai!!!

A outra:
- Ai credo, não diz isso que é pecado!

E a terceira:
- Eu queria ter conhecido meu pai...poderiam raspar meus cabelos, se em troca eu pudesse conhecê-lo.

As outras, respeitosamente, seguiram arrancando ervas daninhas...
E ela reiterou, com um sorrisão cheio de orgulho:
- Pelo menos eu sei que ele é jogador de futebol!

Eu, de óculos escuros, chorava por tudo...

Fim.

Segunda história:

Um casal, abraçado. Chegam a um banco com terra encrustrada. Ela olhou desanimada, de cansaço e calor. O cara de chinelo e camiseta do time no ombro, aproveita animado a oportunidade de demonstrar carinho, estendendo a camiseta no banco pra ela sentar. Ela toda derretida elogia e agradece. Ele então fala pra namorada:
-Acho bom que reconheça, você sabe o que essa camiseta representa pra mim!
(...ou: “Nessa vida eu só torço pra você e pro grêmio”)

Fim.

Terceira história:

Um grupo de mulheres, evangélicas, com suas cestas de lanches, seus crochês e etc., sentadas em círculo numa sombra.
Uma delas pediu um celular emprestado e se afastou do grupo. Andava de cabeça baixa, auscultava o aparelho enquanto caminhava de um lado paro o outro, olhos atentos a cada toque que se repetia.
Na roda, como eu, as mulheres a observam. Uma delas suspirando comenta:
- Coitada da ‘fulana’, ela morre de saudades...

Fim.

Eu, atrás dos meus óculos, pensava: “Coitada de mim...”

Fim.


.: Post por Giane Luccas
19:39:00

[quinta-feira, 16 de outubro de 2008]


Eu te cercava de lembranças
Você afirmava que elas eram
Ainda melhores dentro de você
Mas optava por esquecer

Mostrou a linha frágil entre amor e ódio
Nos deitamos sobre ela
Aumentou o risco da queda
Elevou à altura vertiginosa
Dos orgasmos que tivemos

Disse não querer mais sentir
E me jogou pro lado de lá...

.: Post por Giane Luccas
04:19:00

[quarta-feira, 15 de outubro de 2008]


O pôr-do-sol invadiu meu bom senso
E quem precisa de bom senso agora?
Se tudo esvaeceu depois que partiu

Não sei onde ou quando comecei a te amar
Talvez tivesse te sonhado ainda na infância
Perdi-me ao te materializar em uma visão

E teu sorriso corrompeu meu juízo
Ah, era tudo que eu precisava...

Mas agora tuas mãos somem na neblina
E eu não sei se verei mais a tua cor
Conversa que não terminamos
Me desmancho tocando a chuva fina

Besta normalidade que me assusta
Triste pôr-do-sol que me avisa que amanhã

Meus dias voltarão a ser normais


.: Post por Giane Luccas
18:19:00

[terça-feira, 14 de outubro de 2008]


Um segundo antes do ato, até mesmo um suicida tem todas as possibilidades do mundo!

Então me diz: por que não nós, antes do fim?

.: Post por Giane Luccas
04:30:00

[quarta-feira, 8 de outubro de 2008]


A dor que sentimos separados, distantes, ainda isso é comunhão...

.: Post por Giane Luccas
13:29:00

[terça-feira, 7 de outubro de 2008]




"O meu amor é um anjo de pedra com uma asa quebrada"
- Caio F. Abreu


Gota a gota
Eu matava sua sede
Recompunha teu sorriso
E recolhia teus restos no colchão

Grão a grão
O tempo escorria impiedoso
Revirava nosso ninho
Escondia o resto no porão

Lágrima por lágrima
Eu lavava o teu colo
E esculpia nele meu refúgio
Mas sempre restava solidão

Litros! aos litros o amor se esvaía
Eu te cobria com meu pranto
Despejava toda a culpa
Sobre tua negação

.: Post por Giane Luccas
12:43:00

[domingo, 5 de outubro de 2008]


A minha mulher deixa o rastro
De suas saias por onde passa
E molda o vento quando mexe nos cabelos
Reinventa um novo plano
Sussurrando com voz mansa

Ela chega sempre a leves passos
E brinca com a imaginação
De quem observa meus olhos
Embriagados pela sua dança

E sorri enquanto me beija
E me puxa pela mão
E quando ela me deixa
Promete que sem demoras vai voltar
Diz que andou lendo outros poetas
E sigo pelo faro um caminho
De volta suspenso pelo ar

E quando ela retorna
Conta a história de sua cicatriz
Apagando aquelas que fez em mim
Eu, que pro amor só sei dizer sim
Me preparo novamente
Pra cansar de ser feliz


.: Post por Giane Luccas
11:26:00

[quarta-feira, 1 de outubro de 2008]


Sinto saudades de mim quando junto a ti
E saudades antecipadas pelo instante seguinte
de cada despedida
é tão forte o que eu sinto
que parece que o ultimo beijo
será pra sempre o ultimo

fico lembrando aquele meio-beijo, ao lado do táxi
atrasando por um dia o carinho mais a sós
Não seria justo conosco que aquele fosse o último
Grandes romances podem ter um fim assim estúpido?

Eu temo que um beijo traiçoeiro
te tome o fôlego para voltar
Eu tenho medo que um instante derradeiro
chegue sem hora marcada, entre o hoje e o amanhã
ceifando o que plantei nos espaços entre nós

.: Post por Giane Luccas
05:51:00

[segunda-feira, 22 de setembro de 2008]


Corre, corre que
A rotina te engole
Cuspindo teus restos
Nas coisas que não

Corre, corre poeta, corre
Que de porre em porre
Tuas noites passam em vão

Trago tantos estragos
Em tragos de furacão
Passo ao passo de passageiro
E no fim do dia
Paira poeira no chão

.: Post por Giane Luccas
19:12:00

[sábado, 20 de setembro de 2008]




Amazona do vento
Guardiã das noites que não tivemos
Para onde puxarás as rédeas do meu desejo
Da minha língua que quer invadir
O sal de cada poro teu
Onde me sinto sem castidade
Onde livre sou fiel
Eu, exausto morro em teus braços
Como o verão no abraço do outono
Eu, sem dono...
Andaremos de mãos dadas por aí?
Eu, se cativo, já não vivo!
Morrerei sem ter tido
O gosto de ter pertencido a ti?

.: Post por Giane Luccas
18:12:00

[quinta-feira, 18 de setembro de 2008]


Tenho procurado me perder
Dia pós dia
Bar após bar
Um pé depois do outro
De boca em boca
Borrando teus vestígios sob minha pele

Luzes rastreiam os cantos em que me refugio
E corro os olhos de cruzarem nova paixão
Sugando em cada cigarro a inspiração
Antes vinda de teus sons

E tanta gente passa por mim
Levando a pele de minhas costas
sob as unhas
Números que preenchem algum vazio na agenda
E nenhuma opção há
No sobressalto banhada de suor
entre um pesadelo e outro

Talvez melhor fosse
Abandonar-me na loucura
Que me teve por filha a vida inteira
E parar de negar a natureza que me fez
Sozinha no mundo

Tenho buscado mansidão...
Onde vasculhar o que me faça te odiar
Pra não tirar os pés do chão?

.: Post por Giane Luccas
02:26:00

[sábado, 13 de setembro de 2008]


Enterro seco

Eu tinha um peixe; assim, no passado. Porque o beta vermelho, peixe de uns cinco centímetros e cauda vistosa, morreu. É curioso como usamos o pretérito quando nos referimos aos mortos (tão curioso quanto a tendência automática em santificá-los). Mesmo correndo o risco de soar romântico demais, afirmo que nestes casos sempre preferi o presente. Acredito que a existência não se finda com a morte; em verdade, acho que o existir depende muito pouco do estar vivo. Quase nada.

Eis como a existência revela-se imaterial, subjetiva e relativa a cada um de nós: é só a partir destas linhas, por exemplo, que o meu peixe existe para você. Antes, era apenas mais um objeto incógnito do meu quarto; não existia, em absoluto, no seu mundo relativo.

Krill é vermelho-tango, de reluzentes e pomposas escamas. Apesar do aviso sincero da vendedora, de que “o peixe duraria no máximo um ano e meio”, Krill não deu ouvidos à estatística; nadou e comeu por longos dois anos e oito meses. Durante todo esse tempo, viu-me rir, chorar, cantar e dormir. Viu inclusive o que não devia, para ser sincera.

Krill costumava reagir de forma agressiva quando estranhos o encaravam por muito tempo. Abria as guelras e investia com força contra a parede do aquário, para depois nadar irritado, em voltas, como que frustrado com as próprias limitações que a vida de peixe impõe. Krill queria mais; queria ser o dono do lugar, o guardião onipresente daquele mundo distorcido pelas deflexões da água. E ele fez questão de deixar isso claro desde o começo da nossa telepática relação – vi-me obrigada a comprar um aquário maior para acabar de vez com os deliberados empurrões contra a tampa anterior. Em outras palavras, aquários de peixe beta não combinavam com o Krill. Em suma, ele nunca foi um beta qualquer – por mais parcial que seja tal afirmação.

Krill morreu com a cabeça pousada na pedra que mais gostava; não boiou. Encontrei-o deitado, olhando em direção à minha cama. Talvez me observava dormir (como ele sempre fazia) pela última vez. Talvez tenha morrido revoltado com o resultado das eleições. Ou talvez tenha enfim percebido que nenhum peixe beta sobrevive tanto tempo. Sei apenas que, enquanto embalava-o em papel alumínio (para depois jogá-lo ao lixo, o cemitério dos pequenos seres urbanos), vi-me constrangida por não sentir nada além de um patético carinho. Não exagero a ponto de achar que Krill merecia um enterro nobre ou luto por sua memória; mas quedei-me com a impressão de que ele merecia uma lágrima, ao menos. “Quem lacrimeja ao ver comercial televisivo pode muito bem derramar uma lágrima em memória de um finado querido”, pensei.

Nessas horas, porém, sempre fui incapaz de chorar.

.: Post por Giane Luccas
16:04:00

[segunda-feira, 8 de setembro de 2008]



O sol invade a vidraça
E eu me abraço forte
E as horas transbordam da planilha
-ninguém disse que a vida é fácil –
Quando chega a tarde, o ônibus passa
Tremem as fundações, a mesa, a massa;
E eu sinto que é tudo muito frágil.
Atravesso a catraca, a calçada, o aço
Enquanto falo sozinha na rua,
Poucos percebem
que meus olhos choram teus pedaços

.: Post por Giane Luccas
22:28:00

[terça-feira, 2 de setembro de 2008]


Um sussurro
Soprou como vento norte
E os olhos arrastaram
As folhas que cobriam
A intenção

Um suspiro
Aliviou os cortes
Quando as mãos afastaram
Os segredos
e o possível não

Movimentos de cabelos
Palavras que remontam certa noite
Olhos que pedem perdão
Corpo que não pede respostas
Uma mulher me pediu
Pra ser minha inspiração

.: Post por Giane Luccas
21:03:00

[sábado, 30 de agosto de 2008]


Teus olhos sorrindo
Teu riso dentro do beijo
Um abraço nos teus cabelos
No coração uma flor se abriu por instinto
No teu sexo uma concha
À pérola rara parindo

Tua pele uma lâmina
Que revela a minha até a alma
Num frisson de gelar os dentes
Entre dedos e pêlos que maneiam
Busco teu grito nos teus seios
Que há muito nossos corpos anseiam
Inutilmente em tantos porquês

Uma pausa
Um suspiro
Um abraço

E mansamente o dia nasce outra vez

.: Post por Giane Luccas
21:01:00

[quarta-feira, 27 de agosto de 2008]



A dúvida é minha
A culpa é tua
Leva a linha tênue que
Nos mantinha
Fico com meus botões
Até a cama ficou nua
Das cobertas que tinha
E das tuas canções

Abra a porta por mim fechada
Toma a taça que te dei
Revide o tapa em película gravado
Rasgue as cartas que marquei
Revire e cate teus poemas
O que importava eu queimei

Deixe-me qualquer um, tanto faz
Vai com teus livros e beijos
Pegue o que for teu – eu
E devolva a minha paz

.: Post por Giane Luccas
15:11:00

[terça-feira, 19 de agosto de 2008]


Agora que tens um segundo plano

Me por em primeiro

Surgiu um terceiro

Que leu a poesia que era pra ti

Abriu o vinho para mim

Sorriu e começou a me despir


Agora que voltas com ombros caídos

Me pedindo colo, me pedindo abrigo

Alguma luz se apagou

A agulha no disco pulou

Alguém me puxou pela mão

Alguém no meu ouvido falou


Agora que te sentes livre

Eu já não sei se quero ir

Alguém me fez sentir

O sabores de perfumes

E as cores que eles têm

Me tornei amante do mundo

Não quero ser de mais ninguém

.: Post por Giane Luccas
05:54:00

[segunda-feira, 18 de agosto de 2008]


Àquela estrela tatuada no ombro dela

Estrela que me chama a atenção
Dentre todas as outras, és mais, és paixão
Me persegues, instigante
Pedes por tudo que sou capaz

Representas as noites que trago na alma
Minha sede de luz e calma
És presença intrigante
De esperança e paz

Em toda parte me acompanha, vai além
E me pergunto que sentido tem
Quando sento os pés no chão

Por que brilha ainda
Se esta noite finda
E estou na solidão?

.: Post por Giane Luccas
16:25:00

[quarta-feira, 13 de agosto de 2008]




Quando a saudade é física
Quando a distância é medida em tempo
Quando o sexo é obra de arte
Quando meio sorriso é comprimento

Quando o sonho faz suar
Quando a lembrança transporta
Quando o silêncio sufoca
Quando a ausência é pesar
Quando outra opção não importa

Quando tudo que é tanto mais
Vira qualquer coisa assim
Quando não-sei-mas-não-me-deixe-em-paz
Quando o que eu tento matar
Parece tomar conta de mim

.: Post por Giane Luccas
02:52:00

[segunda-feira, 11 de agosto de 2008]


Enquanto me davas prazer
escrevia uma poesia
Rebuscava na memória os termos mais adequados
E compunha versos sem rima com língua e dentes
Sobre o papel da tua pele
Os olhos corriam a folha estudando
alguma métrica
E recitava te pedindo opinião
Lendo as expressões de teu rosto
Palavras de silêncio que se traduzem em arfar
O corpo da poeta contempla a obra a suspirar...

.: Post por Giane Luccas
12:48:00

[sexta-feira, 8 de agosto de 2008]



A gente pensa que é o leito que faz o caminho do rio...
A gente pensa que é a ausência que faz o vazio
A gente se entorpece tentando conter o frio
A gente empobrece sem querer perder o brio

As coisas nos cercam tentando preencher a lacuna
Nos enchemos de todos sem resgatarmos coisa alguma
E no fim se é que tinha nos resta saída nenhuma

Ai de nós que nos esvaímos de gota em gota
Pedaços de nós, poetas, em cada boca
Distorcendo cada palavra que lapidamos
E de nós a voz já não sai nem rouca

Ao fim da história tão pouca
De quem guiou a vida pelo vento
Tanta escrita e lamento

No sótão, o que sobrou da pobre louca

.: Post por Giane Luccas
15:51:00

[quarta-feira, 6 de agosto de 2008]


...e no fim de semana choveu, trovejou!
Depois fez-se calmaria. Houve uma pausa aqui dentro.
Não sei bem o escrever desde então.

Poema enquanto pulo o meio fio

Águas que correm sobre as pedras,
Que mãos modelam suas curvas
E traçam a rota que faz?

Águas agitadas, límpidas, turvas
Todas elas vindas de um mesmo céu
Que em chuva agora jaz

Águas que num desespero mudo
Vasculham todas as frestas
Com pressa de chegar

Água, água, que confusa está:
Por que tanta pressa,
Se para o mesmo céu retornará?

E eu agora exorto você,
Nostálgico, esperando a chuva passar:
Repense logo sua vida,
pois não é somente a chuva
Que brevemente passará!

.: Post por Giane Luccas
14:43:00

[segunda-feira, 28 de julho de 2008]


Muitas vezes basta-me olhar;

ela, sorrindo, faz-me sonhar.
E fala, movimentos, e grita;
contorce, expressa, suplica.

Quieta ouvindo, ou vindo;
faceira, lasciva, sentindo;
dança de flerte, pedindo
momento íntimo. Lindo.

Mesmo escondida, tímida, ela sorri;
ela observa! sei, pois sempre senti.
E convida, leve, a deliciosos prazeres
que se revelam, claro, antigos quereres.

Depois, durante, olhando chorando suando,
diz-me que sou o agora, o tempo flutuando;
abraça-me toda, desespero, caindo, arfando;
jibóia, sorrindo, paixão com amor, me amando.

O seu corpo feminino e lindo.
Só ele.
Chegando, sentindo, abrindo.
Olhando, vindo, partindo.
Andando...
Amando...

Existindo.

.: Post por Giane Luccas
23:46:00

[domingo, 27 de julho de 2008]


Acordo no meio da noite
Na escuridão do teto
teu rosto brilha num sorriso
O céu se abre em volta de você...

Eu levanto, bebo água, ligo a tv...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
E na escuridão do teto
teu rosto brilha, num sorriso...

Eu caminho, acendo um cigarro, ligo o pc...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
Na tela do computador
Na foto, na letra, no som, é você...


Eu me agito, tomo um remédio, desconecto...
Só quero me deitar
E ver teu rosto na escuridão do teto
Brilhando num sorriso

Já não durmo sem você...
Me reviro e penso em nós...
Meu corpo não relaxa sem teu riso
Eu fecho os olhos para ouvir a tua voz...

.: Post por Giane Luccas
06:58:00


Acordo no meio da noite
Na escuridão do teto
teu rosto brilha num sorriso
O céu se abre em volta de você...

Eu levanto, bebo água, ligo a tv...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
E na escuridão do teto
teu rosto brilha, num sorriso...

Eu caminho, acendo um cigarro, ligo o pc...
Mas eu fecho os olhos e ouço tua voz
Na tela do computador
Na foto, na letra, no som, é você...

Eu me agito, tomo um remédio, desconecto...
Só quero me deitar
E ver teu rosto na escuridão do teto
Brilhando num sorriso

Já não durmo sem você...
Me reviro e penso em nós...
Meu corpo não relaxa sem teu riso

Eu fecho os olhos para ouvir a tua voz...

.: Post por Giane Luccas
06:53:00

[quarta-feira, 23 de julho de 2008]



...eu te remonto nas palavras
nos pedaços que colhi no meu colchão
em noites mal dormidas
sobre livros folheados à procura
de sinônimos em versos
que dissessem de mim, de você...

Você, nas reticências
No silêncio das veias
Nos olhares escapados em frestas
Do que não dissemos
Depois do teu abraço
Longas e cúmplices horas


Mãos que se dão de presente
Em dedos que se entrelaçam
E correm perdidos
Os riscos da pele
Olhos que faíscam pistas
Do plano que não tivemos coragem

Descubro aos poucos
Tua verdadeira imagem
-apaixonante curiosidade –
mas ainda restam tantas peças...
Em qual delas vou estar?
Em qual delas és miragem?

.: Post por Giane Luccas
16:56:00

[terça-feira, 22 de julho de 2008]






Deslumbrei-me com o que
Antes era um sopro
E minha loucura elegorizou
Agora como que por encanto
Presa em sua tez
O mundo me tem em pranto
E já não sei o que de mim se fez

Em sonhos de quimera
Perco-me na noite
Entre mãos e pernas
Paixões e embriaguez

A vida, eu bem quisera
Não fosse no peito um açoite
Não fosse no dia tanta lucidez

.: Post por Giane Luccas
18:00:00

[sexta-feira, 18 de julho de 2008]



Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-iris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

(António Ramos Rosa, "viagem através de uma nebulosa", 1960)


Numa desta noites de sarau a dois, um amigo me deixou isto:



.: Post por Giane Luccas
14:27:00

[terça-feira, 15 de julho de 2008]


Quero escrever sobre
As mágicas que aprendi
No teatro místico que ingressei
Mas é antiético.

Queria escrever aqui
Meu diário de sonhos
Com seus personagens sem rosto
Que se esfregam como velhos conhecidos

Sobre um romance secreto
Mas ele perderia o brilho

Sobre de onde vêm minhas dores físicas
Mas quem olharia para as de dentro?

Sobre um refúgio que descobri
Mas outros certamente iriam conferir

Quero falar daquela menina estranha
Que ainda não conheci

Quero cantar a música que compus
Pra alguém distante sem saber porquê

De tão interessante que estes dias foram
Não soube mais o que escrever

É sempre assim:

Fica no plano do não dito
O mais interessante sobre mim

.: Post por Giane Luccas
17:59:00

[quinta-feira, 10 de julho de 2008]


A imaginação se expande
As pupilas se dilatam
Os lábios se abrem
Os poros vazam
Peito que infla
Pêlos eriçam
Coração se espalha
Correntes se quebram
Músculos que se estendem
Só o ventre se contrai.

.: Post por Giane Luccas
02:21:00

[segunda-feira, 7 de julho de 2008]





Ela gargalhava num tropeço
E um beijo me causava soluços
Um orgasmo extravasava-me um choro
E me abraçava com cabelos de bruços

Seu sexo me mordia as pernas
E com os olhos me dava de comer
Enxugava a tempestade
com nossos lençóis
E inventava contos
pro meu sono passar
Tecia uma rede com músicas
E ali desurromou o meu lugar

Despenteava minha idéias
E deslavava minha cara
E via cores escorrendo
Nas curvas das minhas veias

Cravava sua pele macia
Em meus dentes
E pra meu desassossego
me arrancava poesias

Ela fez tudo ao contrário

De repente perdi de vista o fim
Seus pés sempre corriam contra a mão
Correram porta a dentro
Pra dentro de mim

.: Post por Giane Luccas
21:01:00

[quarta-feira, 2 de julho de 2008]


Amantes correm ponteiros pra trás se preciso for...

Não escolhem lugar confortável pra se amar

Não medem gastos

E roubam flores pra agradar

Amantes fazem pacto de prazer...

Sussurram um nome no meio da madrugada

Acordam banhados de suor

Amantes não têm para onde correr

.: Post por Giane Luccas
22:24:00

[segunda-feira, 30 de junho de 2008]


Estive em Porto Alegre,
estive fora do ar por três dias...


(...ainda estou...)



Alguém
ao decidir
me pediu que eu não fosse
Alguém
antes de eu ir
desejou que eu me apaixonasse
Alguém
ao partir
quis que eu ficasse


Eu, só sei sentir...


"Me atirava do alto na certeza
de que alguém segurava minhas mãos,
não me deixando cair.
Era lindo mas eu morria de medo.
Tinha medo de tudo quase:
Cinema, Parque de Diversão, de Circo, Ciganos...

Aquela gente encantada que chegava e seguia.
Era disso que eu tinha medo, do que não ficava pra sempre."


.: Post por Giane Luccas
22:19:00

[quinta-feira, 26 de junho de 2008]


Véspera

Não há nada mais inquietante
Do que a véspera
A suposta possibilidade de se ser feliz
A provável ventura de um amor encontrado

Não se sente nada mais profundo
Do que a véspera
Ao imaginar o futuro
Toque dos sentimentos derrotados

Não há nada mais calmante
Do que a certeza da véspera
Aquela que vem antes do tão sonhado
Encontro do outro dia

Não há nada de mais
Na véspera não ansiada
Do que já é realidade
Sagaz essa felicidade
De estar sempre à espera por viver

.: Post por Giane Luccas
16:21:00

[terça-feira, 24 de junho de 2008]


Mas e se tudo ruir
As flores que plantei
Os escudos que construí
Nos caminhos que andei
Em lugares que vivi

Mas e se tudo fluir
As sementes que soprei
No vento que senti
De palavras que pensei
E jamais proferi

Mas e se você não vir
Os porta-retratos que quebrei
Nas paredes que destruí
Com as cores que pintei
De sons que não esqueci

.: Post por Giane Luccas
13:39:00


Fim de semana cult sem bebedeira...

...que ressaca isso dá! Espetáculos teatrais sexta, sábado e domingo. Só agora to me aprumando...

Poderia me perder aqui escrevendo o que pensei anotar na memória enquanto assistia, mas vou dar o resumo da ópera. Algumas considerações:

Sexta, com mais fina companhia, fui assistir finalmente o badalado Imembuí, espetáculo musical que conta a fantástica história de amor de uma índia e um forasteiro que deram origem a essa aldeia chamada Santa Maria. Tenho lá minhas dúvidas sobre a verossimilhança da romântica história. Tenho minhas dúvidas sobre o espetáculo. Saí cheia de dúvidas! Quem era o velhinho vestido de soldadinho de chumbo que recitava em playback??? Por que o índios eram afros e dançavam street dance com roupas de funk? Por que quem se caracterizava de índio tendia a vestir-se de moita? Gente,eram uns arbustos!Por que o narrador pilchado usava microfone de haste auricular e a cantora que representava Imembuí fazia trejeitos de cantora de barzinho segurando um baita microfone?
O melhor, e impecável, sem dúvida fui o instrumental ao vivo, bravo meninos!

Sábado fui assistir finalmente Aline Maciel em seu monólogo, uma adaptação do conto de Jorge Amado: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.
Linda apresentação, cujo intuito é o resgate da arte de contar histórias. Ao final pude participar do debate que se deu após o comentário da comissão julgadora. Confirmou-se o que sempre falo, mais que talento, é preciso que a atriz tenha graça (no sentido mais virtuoso e menos raso da palavra)! Fui ao teatro sozinha, mas tive sensação de plenitude, ainda mais quando o personagens tomavam forma dentro de mim e um cenário surgia à volta da contadora.
Se dependesse da minha nota como júri popular, teria eleito!
Aliás, esse esquema do FETISM de debate e júri popular ficou ótimo!

Domingo fui assistir minha ex e futura professora de Técnicas de Representação, Taís Ferreira em Platero e Eu.
De cara pensei “não devia ter trazido meu filho”. Muito interessante o trabalho de pesquisa também em cima da arte medieval de contar histórias.
Mas... saí da peça com uma certeza (ao contrário de sexta) :



prefiro os gestos sutis que falam tanto mais.

.: Post por Giane Luccas
04:04:00


Fim de semana cult sem bebedeira...

...que ressaca isso dá! Espetáculos teatrais sexta, sábado e domingo. Só agora to me aprumando...

Poderia me perder aqui escrevendo o que pensei anotar na memória enquanto assistia, mas vou dar o resumo da ópera. Algumas considerações:

Sexta, na mais fina companhia, fui assistir finalmente o badalado Imembuí, espetáculo musical que conta a fantástica história de amor de uma índia e um forasteiro que deram origem a essa aldeia chamada Santa Maria. Tenho lá minhas dúvidas sobre a verossimilhança da romântica história. Tenho minhas dúvidas sobre o espetáculo. Saí cheia de dúvidas! Quem era o velhinho vestido de soldadinho de chumbo que recitava em playback??? Por que o índios eram afros e dançavam street dance com roupas de funk? Por que quem se caracterizava de índio tendia a vestir-se de moita? Gente,eram uns arbustos!Por que o narrador pilchado usava microfone de haste auricular e a cantora que representava Imembuí fazia trejeitos de cantora de barzinho segurando um baita microfone? (Faço aqui uma ressalva à Débora Rosa, de talento incontestável)
O melhor, e impecável, sem dúvida fui o instrumental ao vivo, bravo meninos!

Sábado fui assistir finalmente Aline Maciel em seu monólogo, uma adaptação do conto de Jorge Amado: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.
Linda apresentação, cujo intuito é o resgate da arte de contar histórias. Ao final pude participar do debate que se deu após o comentário da comissão julgadora.
Confirmou-se o que sempre falo: mais que talento, é preciso que a atriz tenha graça (no sentido mais virtuoso e menos raso da palavra)!
Fui ao teatro sozinha, mas tive sensação de plenitude, ainda mais quando os personagens tomavam forma dentro de mim e um cenário surgia à volta da contadora.
Se dependesse da minha nota como júri popular, teria eleito!
Aliás, esse esquema do FETISM de debate e júri popular ficou ótimo!

Domingo fui assistir minha ex e futura professora de Técnicas de Representação, Taís Ferreira em Platero e Eu.
De cara pensei “não devia ter trazido meu filho”. Muito interessante o trabalho de pesquisa também em cima da arte medieval de contar histórias.
Mas... saí da peça com uma certeza (ao contrário de sexta) :

prefiro os gestos sutis, que falam tanto mais.

.: Post por Giane Luccas
04:04:00

[sábado, 21 de junho de 2008]


Sentei aqui e escrevi:

“Era madrugada ainda e eu já escrevia poesias lancinantes à sombra promissora dos teus olhos numa foto em sépia...”

Este é o início, e era pra ser um conto. “Vou tentar, nunca escrevi um!”
Mas parei por aí, pq já tava saindo outra poesia...

Minhas poesias não têm métrica ou rima, minhas crônicas têm musicalidade...afinal o que eu sou?

Deve ser isso que significa o centauro do meu signo...

.: Post por Giane Luccas
01:21:00

[quinta-feira, 19 de junho de 2008]



Tenho sentido coisas sem nome

Quando leio entrelinhas de alguém distante
Que se confirma comigo nos momentos mais inesperados
Numa saudade velada das carícias que não trocamos

Não há dor, e é bom...
Mas é como se, numa fração, assim de repente
tomasse um soco,
no meio da multidão
ou enquanto dormia, que me fizesse acordar
ou no meio de uma música, de olhos fechados
bem na boca do estômago
sem nem ter visto de quem ou o porquê

E fico segundos, rendida, sentindo
Tentando entender

Como se chama esse prazer
(de sentir-se nocauteada?)?

Eu falei que não tinha nome...

.: Post por Giane Luccas
13:01:00

[quarta-feira, 18 de junho de 2008]


Ontem...

A turma em peso foi prestigiar a peça dirigida por Cláudia Schulz (a mesma professora da avaliação de segunda-feira).
Erêndira é o nome do espetáculo, uma adaptação da obra de Gabriel Garcia Márquez.

A Cláudia teve sacadas brilhantes como encenadora, conseguindo ilustrar a história de maneira lúdica e implicitamente poética. Cenário, figurino, luz... Dez!
Todo o elenco brilhou em suas interpretações, com a dose certa de graça e gravidade de cada cena.

De repente estávamos nós, os alunos, na platéia avaliando quem nos deu as primeiras noções de encenação.

Direção: Cláudia Schulz
Atuação: Jean Carlo Balconi Langbecker, Douglas Alex Winkelmann, Helena Carolina Andrade, Lara de Bittencourt, Matheus Foster e Maurício Schneider
Iluminação: Luís Fernando Marques
Figurino, Cenário, Objetos de Cena e Maquiagem: Alessandra Giovanela e Cláudia Schulz
Trilha Sonora: Rodrigo Zanini

Depois voltei pra mais uma madrugada de trabalho.


Sobre segunda...

Então, o ensaio do domingo era geral, para as encenações de conclusão do semestre. Me apresentei em três, duas delas como atriz e uma como diretora, pela qual fui avaliada. Todos deveríamos estar na 1220 as 7:30h, meia hora antes de iniciar.
Trabalhei feito bicho a madrugada de véspera inteira e (pasmem) deixei todo material arrumado na mochila esperando amanhecer. Programei o celular e resolvi dar uma cochilada no sofá.
Sol na sala.
“-Giane...Giane! Tu não tinha aula hoje?”
“(que teto é esse? Que dia é esse? Que horas são????)
...
“-Corre seu moço! Era pra ta lá há uma hora!!!”
Cheguei entregando o cd com a trilha, me despindo porta a dentro, me vestindo de outra e subindo no palco.

Ao final, risos, aplausos, avaliações e comoção de todos com a Claúdia que chega ao final de seu contrato com a UFSM, tendo conquistado TODA turma com carisma e competência!

Ainda no domingo...

“Quase segunda.”

O ponto é que eu sinto.

Poderia pensar o contrário, mas meu sono tem um fundo de verdade
e uma ironia de mentira:eu almejo e não consigo.
Ou não deixo. Ou não digo.

A lição de hoje? Apaixone-se.
A de ontem também.
E a de sempre, a de amanhã;
somos todos reféns.

...A cama já se vê...
boa noite a mim mesmo.
Boa noite a você.

.: Post por Giane Luccas
16:56:00


Sobre segunda...



Então, o ensaio de domingo era para as encenações de conclusão do semestre, das quais participei de três, sendo duas como atriz e uma como diretora. As apresentações começaram as 8h, para dar tempo de todas as...20?...se apresentarem. Trabalhei feito bicho a madrugada toda e deixei minha mochila pronta na noite anterior. Resolvi cochilar no sofá por duas horas e programei o despertador.

"-Giane, tu não tinha aula hoje?"

Abro os olhos. O teto branco da sala. "Que dia é hoje? Que horas são?". "Acelera seu moço!!! o senhor não tá entendendo, já era pra eu estar lá

.: Post por Giane Luccas
15:20:00

[domingo, 15 de junho de 2008]


Manhã de domingo.

Vento cortante.
( Em Santa Maria -uma voz dizia no rádio-
Vento: de Oeste a Noroeste a 32 km/h
Ponto de orvalho: -3°C)
Ensaio no CAL.

Como se não bastasse,
passe livre.
Pobre Jonas
filho de pretensos artistas
que vai aonde a lona estiver armada...




.: Post por Giane Luccas
16:26:00

[sábado, 14 de junho de 2008]


Eu perco horas
correndo para não perder.
Eu perco a linha,
a hora certa de me recolher.

E a hora de acordar,
claro, eu perco também.
A absolvição é outra;
durmo antes de dizer amém

.A paciência, acredite,
essa eu já perdi faz tempo.
E até já perdi o freio
de um carro que perdi batendo.

Perdi o fio da meada
pelos motivos de sempre.
Perdi o memorizado
pois guardei-o inteiro na mente.

O que podia não foi;
patética vergonha de agir.
Perdi-a assim, adeus;
resta-me, tolo, sonhar e pedir.

Agora ando andando assim,
andando a esmo.
Sou inércia,
perco-me em mim mesmo.

.: Post por Giane Luccas
20:16:00

[sexta-feira, 13 de junho de 2008]


Caio Fernando Abreu

"cartas"

Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.


...e esta é Clarice...


Quem, escritor, louco e apaixonado, não morre de medo e vontade de ser um pouco
Caio e Clarice?

Escrita,
loucura,
paixão...

Vontade de ser...

O que me falta é medo!

.: Post por Giane Luccas
21:40:00




"cartas"

Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.



Caio Fernando Abreu




...e esta é Clarice...




Quem, escritor, louco e apaixonado, não morre de medo e vontade de ser um pouco

Caio e Clarice?


Escrita,

loucura,

paixão...


Vontade de ser...


O que me falta é medo!

.: Post por Giane Luccas
21:09:00

[quinta-feira, 12 de junho de 2008]


Ontem à noite recebi a visita de três amigas. Enquanto falavam, eu olhava de fora, eu me olhava por dentro...

Mulheres despedaçadas
Mulheres cobertas
Mulheres despudoradas
Curiosas, problemáticas,
Românticas, incompreendidas
Olhares baixos, voz apagada

Umas desconhecem o prazer
Outras me pedem pra explicar
Umas me dizem que não
Outras me puxam pra dançar

Me contam segredos
Me pedem ombro e colo
E antes que eu negue
Fazem morada aqui dentro

Me arrancam poesia
Umas horas, as odeio
Mas aí... no outro dia...

.: Post por Giane Luccas
14:27:00

[quarta-feira, 11 de junho de 2008]


Escrita no ônibus, hoje pela manhã:

A poesia tem pressa de seu propósito
Se espalha na folha
E é jogada aos olhos
Sem pedir licença
A poesia é cuspida e recusada
A poesia é amassada e jogada
A poesia é levada pelo vento
É arrastada pela chuva
É tragada pelo bueiro
A poesia entala nas frestas
Transborda as ruas
Incomoda alheios
Interrompe o trânsito
Pára a correria.

A poesia parou o dia.

.: Post por Giane Luccas
14:50:00

[terça-feira, 10 de junho de 2008]


"O poeta é cavalo do verbo"

...pois então, foi isso que eu fiz ontem à noite:

http://www.sahea.net/fotos_blog/pletorax/flyer_web_santa.gif

Adoro quando percebo que a arte não perde a capacidade de me impressionar! Devo o prazer de ontem à minha amiga Mari, que praticamente puxou minhas cobertas via celular e me levou na CESMA.
Não conhecia o trabalho deste poeta e agora vou juntar meus pilas pra comprar seu livro e reler a poesia de ontem, que entrou em mim audiovisualmente. O cara brinca seriamente com palavras e os sons que elas têm, cata no mundo uma poesia que pouca gente eu vi perceber no cotidiano, e joga tudo na cara da gente. Fiquei remexida por dentro. Uma sensação de "como é que eu não tinha pensado (ouvido, visto, sentido) isto antes?".

"Pra quem tem fome de poesia, prato cheio é uma folha vazia" - Marcelo Sahea (= o cara!)

Depois disso, aí sim eu dormi, saciada...

.: Post por Giane Luccas
19:30:00

[segunda-feira, 9 de junho de 2008]


“A minha cama pergunta.”

Eu não sei mais o que sonhar quando eu acordo.
Eu não sei mais o que sentir quando eu me toco.

Eu preciso de um sábado
para ir dormir até tarde no domingo.

Eu preciso de oito dígitos
para ter milhões de falsos amigos.

Eu preciso de um título
que sirva a todas as minhas anotações.

Eu preciso de calmantes
para sufocar com as mãos minhas emoções.


Eu não sei mais o que cortar quando eu recordo.
Eu não sei mais o que mentir quando eu me choco.


Eu não sei mais o que marcar quando eu anoto.
Eu não sei mais o que banir quando eu me jogo.


Eu não sou dono da verdade;
sei bem menos do que você pensa.
Eu não tenho assim tanta idade;
tenho paixão pelo que me alimenta.

Eu não sei mais o que pensar quando eu me olho.
Eu não sei mais o que ferir quando eu não gosto.
De beijo em beijo;
será que eu chego lá?
Vários telefones;
vale o tempo a encontrar?

De cheiro em cheiro,
eu posso ter sem querer?
E a minha cama pergunta:
- Você pode querer sem ter?

Eu não sei o que parar quando eu me apaixono.



.: Post por Giane Luccas
02:35:00

[domingo, 8 de junho de 2008]


Tenho uma pra contar, daquelas do Jonas:
Ele chegou em mim com uma régua de 20cm e apontou no 5 dizendo:

-Mãe, minha idade tá aqui, e a tua?
- ... é... Filho, busca a trena do teu pai...
-Bãi, tu é tão velhinha assim???
-É, mais ou menos…
-Ah, mas pra mim tu é uma guriazinha com a idade aqui...

(o dedinho tava no dez...)

Acho que fui, sim; moleca que corria com as sandálias enfiadas nas mãos; rindo de ar inocente, olhos de esperança, mãos de amor.

Mas então vieram os talões de cheque, os desperta-as-dores e os estacionamentos de cinco reais à primeira hora. E foi tudo tão rápido – e pior, tudo tão desavisado – que as tais rugas de expressão cresceram para a chacota óbvia ao bordão

“cultive a criança que existe em você”.

.: Post por Giane Luccas
16:29:00


Eu olho pela janela,
e tudo passa tão rápido e é quase sempre cíclico.

Hoje eu sou uma constante tosse que anda, com sono, um pé após o outro- não é assim que tem que ser?

Exausta. Desta patética inércia que me prende à cama apesar do despertador. Das perguntas fúteis, das bolsas que roçam, das contas não pagas, da falta de freio. Da timidez que me foge ao comando. Dos gerúndios quase poéticos.... das reticências.
Dos falsos cumprimentos e das impertinentes expectativas. Das pertinentes expectativas.
Das portas do elevador que teimam em fechar antes de mim; sempre atrasada, sempre correndo sem mesmo saber o fim.
O sono me vive, eu vivo com sono; e os dias são sucessivos... PS´s; Post Scriptum, , Pronto-Socorro. ..

E, à noite, poucas palavras, nenhum som. E tanta escrita.

Canso-me pela divergência, pelo ritmo que me inquieta, pelas histórias que não.
E tudo passa tão rápido e é quase sempre cíclico. E eu, olho pela janela.

Eu cansei de não saber pra quem falar; de não saber o quê.
Eu cansei de ter tudo, e não ter nada, não saber por quê.
Eu não quero mais tremer de medo, eu não quero mais me ouvir chorar baixinho.
Eu não quero mais tentar me abraçar à noite. Chega de travesseiro molhado, chega de vazio sufocante e mágoa não-sei-de-quê.
De resto, não tenho mais nada a perder; só este eterno engasgo sem nome e sem forma.
Prefiro, então, a ausência. O não-estar e o não-ser não podem ser menos confortáveis que isso.

.: Post por Giane Luccas
00:10:00

[sábado, 7 de junho de 2008]


Dar-se por vencida...

é a parte mais dolorida

A parte mais dolorida não é quando termina...

É muito antes ou muito depois do fim

...é quando a gente secretamente se dá por vencida

é quando ainda se tem uma carta mas não se paga pra ver

é quando ainda poderia, mas não tem mais por quê

é quando não se quer mais saber

é quando não se sabe o que sentir

Desistir de alguém é desistir de parte de si

.: Post por Giane Luccas
16:20:00

[sexta-feira, 6 de junho de 2008]



Uma mulher me desafiou a escrever em público!
Aqui estou eu, finalmente... Não é a primeira vez que me motivam a mostrar o que escrevo, "vc devia...vc devia...", enfim, veio a chamada certa: "Eu te desafio a escrever um blog!"

A partir daí, eu me desafio a provar coisas, a encontrar definições pra elas, a escrever o que vivi no dia, a achar tempo pra este prazer...
Ao lado, uma poesia escrita em fila de banco. Enquanto isso, dois foram atendidos.

Obrigada Ana, por me desafiar!

E a quem me acompanha neste processo, eu desafio a me amar...





.: Post por Giane Luccas
11:49:00

[quinta-feira, 5 de junho de 2008]


"Quem me quer não me conhece; quem me conhece me teme".(Clarice Lispector)

Minha primeira postagem não poderia ser outra senão esta, com um breve apanhado sobre mim:

Sou velha demais e criança demais para minha idade! Tenho a triste mania de acreditar no ser humano, perdoar as mentiras que me falam e me apaixonar por novos planos.
E tímida. Mas só com quem eu conheço bastante, bastante para falar de mim, bastante para olhar dentro dos olhos... eu não sei falar de mim...

Eu sou cheia de manias. Ninguém as conhece por completo - não porque eu não queira, mas porque são muitas. Algumas manias são inofensivas. Já outras, com o passar do tempo, tornam-se insuportáveis. Casar comigo é praticamente impossível - eu não casaria- mas tem gente que consegue...rs

Eu insisto em discutir. Nunca fui muito do estilo "deixa pra lá", a não ser no que falam de mim. Defendo minhas opiniões com tanta veemência e euforia que as pessoas geralmente julgam-me como “pretensa dona da verdade” – ou simplesmente concluem que estou irritada. E a verdade é que eu adoro ouvir as opiniões e experiências alheias. Eu adoro ensinar. Sinto um profundo sentimento de satisfação quando explico algo e o ouvinte entende - uma sensação plena e intensa de tarefa cumprida. E eu sei muito menos do que eu queria saber. Eu sei pouco, muito pouco, embora sempre esteja lendo mais de dois livros...

Eu adoro arte, de todos os tipos!Meu gosto musical varia de Mercedes Sosa a Iron Maiden, passando por Chico Buarque, Janis Joplin, Bethânia, Trip hop e muita Billie Holiday e Piafh, que faz bem pra saúde.

Amo a noite, acho desperdício dormir! Adoro assistir Tele Curso 2000 quando chego, comendo sanduíche de strogonoff gelado.

E eu amo meu trabalho.

Eu simplesmente não sei dirigir devagar. Tenho cacoete de dirigir fumando, e a porta do meu carro se abre para outra dimensão! A cerveja é uma das minhas melhores amigas. Talvez a melhor.

Eu odeio ignorância e apatia. Com todas as minhas forças! Para ser sincera, acho que odeio coisas demais. Eu queria ser mais plácida e impassível (mas eu odeio pessoas impassíveis).
Odeio torneiras que desligam automaticamente e ventiladores que supostamente secam as mãos - eu ainda mato quem inventou aquilo. Odeio pré-conceitos (de todos os tipos). Odeio pessoas que batem e empurram enquanto falam; economias desnecessárias, produtos de marcas genéricas e carros cujo nome pode ser colocado no diminutivo, e o silêncio entre mim e a atendente do Mc´Donalds quando ela pergunta objetivamente que número eu quero. E eu odeio partidos e todas suas falsas ideologias.

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.: Post por Giane Luccas
15:33:00