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domingo, 8 de junho de 2008

Tenho uma pra contar, daquelas do Jonas:

Tenho uma pra contar, daquelas do Jonas:
Ele chegou em mim com uma régua de 20cm e apontou no 5 dizendo:

-Mãe, minha idade tá aqui, e a tua?
- ... é... Filho, busca a trena do teu pai...
-Bãi, tu é tão velhinha assim???
-É, mais ou menos…
-Ah, mas pra mim tu é uma guriazinha com a idade aqui...

(o dedinho tava no dez...)

Acho que fui, sim; moleca que corria com as sandálias enfiadas nas mãos; rindo de ar inocente, olhos de esperança, mãos de amor.

Mas então vieram os talões de cheque, os desperta-as-dores e os estacionamentos de cinco reais à primeira hora. E foi tudo tão rápido – e pior, tudo tão desavisado – que as tais rugas de expressão cresceram para a chacota óbvia ao bordão

“cultive a criança que existe em você”.

Eu olho pela janela,

Eu olho pela janela,
e tudo passa tão rápido e é quase sempre cíclico.

Hoje eu sou uma constante tosse que anda, com sono, um pé após o outro- não é assim que tem que ser?

Exausta. Desta patética inércia que me prende à cama apesar do despertador. Das perguntas fúteis, das bolsas que roçam, das contas não pagas, da falta de freio. Da timidez que me foge ao comando. Dos gerúndios quase poéticos.... das reticências.
Dos falsos cumprimentos e das impertinentes expectativas. Das pertinentes expectativas.
Das portas do elevador que teimam em fechar antes de mim; sempre atrasada, sempre correndo sem mesmo saber o fim.
O sono me vive, eu vivo com sono; e os dias são sucessivos... PS´s; Post Scriptum, , Pronto-Socorro. ..

E, à noite, poucas palavras, nenhum som. E tanta escrita.

Canso-me pela divergência, pelo ritmo que me inquieta, pelas histórias que não.
E tudo passa tão rápido e é quase sempre cíclico. E eu, olho pela janela.

Eu cansei de não saber pra quem falar; de não saber o quê.
Eu cansei de ter tudo, e não ter nada, não saber por quê.
Eu não quero mais tremer de medo, eu não quero mais me ouvir chorar baixinho.
Eu não quero mais tentar me abraçar à noite. Chega de travesseiro molhado, chega de vazio sufocante e mágoa não-sei-de-quê.
De resto, não tenho mais nada a perder; só este eterno engasgo sem nome e sem forma.
Prefiro, então, a ausência. O não-estar e o não-ser não podem ser menos confortáveis que isso.